A uma semana do 1º turno, parcela do eleitorado ainda não definiu voto para presidente

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Com cenário polarizado, presidenciáveis devem disputar votos até os últimos dias (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Levantamento aponta diferença entre intenção estimulada e espontânea e mostra eleitorado ainda em processo de decisão

A poucos dias do primeiro turno, pesquisas mostram que uma parcela do eleitorado ainda não transformou sua intenção de voto em uma escolha consolidada. No levantamento nacional mais recente do Real Time Big Data, 3% dos entrevistados não souberam ou não responderam quando receberam uma lista de candidatos, enquanto, na pesquisa espontânea, 11% não indicaram nenhum nome.

A diferença aparece principalmente quando os eleitores precisam responder sem que os nomes dos candidatos sejam apresentados. No cenário estimulado, Lula (PT) registrou 41% e Flávio Bolsonaro (PL), 37%. Já na pesquisa espontânea, Lula apareceu com 36% e Flávio com 30%. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre 19 e 23 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

A pesquisa espontânea é usada para medir o grau de associação dos eleitores com os candidatos, já que o entrevistado precisa citar um nome sem receber uma lista de opções. Nesse formato, além de Lula e Flávio, Augusto Cury e Renan Santos aparecem com 4% cada, enquanto Ronaldo Caiado soma 2%. Outros nomes têm 1% cada. Brancos e nulos representam 10%, e 11% não souberam ou não responderam.

Para o cientista político Gabriel Amaral, o cenário combina a existência de grupos eleitorais já definidos com uma parcela da população que ainda não consolidou sua preferência.

Segundo o especialista, a decisão desses eleitores pode ser influenciada por fatores como a avaliação do governo, a situação econômica, questões relacionadas à segurança e aos serviços públicos, além da rejeição aos candidatos. Debates, propaganda eleitoral e acontecimentos da reta final podem reforçar ou alterar essas percepções.

A situação ganha relevância diante de uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na pesquisa do Real Time Big Data, os dois aparecem tecnicamente empatados nesse cenário: Flávio tem 45%, enquanto Lula registra 44%. Brancos e nulos somam 8%, e 3% não souberam ou não responderam.

Eleitores que buscam outra opção

O mesmo levantamento identificou também um grupo que não se identifica diretamente com os dois principais nomes da disputa. Segundo a pesquisa, 16% dos entrevistados disseram desejar um presidente que não seja Lula nem Flávio Bolsonaro.

O levantamento apontou ainda que 16% afirmam querer a volta de um integrante da família Bolsonaro à Presidência, enquanto outros 16% dizem ter como principal objetivo evitar uma vitória do bolsonarismo. Já 26% afirmam querer Lula novamente na Presidência e 25% dizem priorizar a derrota do atual presidente.

Os números mostram que a reta final da campanha ocorre em um cenário no qual diferentes grupos de eleitores apresentam níveis distintos de definição e motivação.

Diferença entre pesquisa estimulada e espontânea

A pesquisa estimulada apresenta ao entrevistado uma relação de candidatos antes da resposta. Já na modalidade espontânea, os nomes não são apresentados e o eleitor precisa indicar por conta própria quem pretende escolher.

No levantamento nacional divulgado em 24 de setembro, essa diferença foi de oito pontos percentuais no caso de Lula: 41% no cenário estimulado e 36% no espontâneo. Para Flávio Bolsonaro, foram 37% e 30%, respectivamente.

A diferença também aparece em pesquisas estaduais. Em São Paulo, por exemplo, um levantamento do Real Time Big Data realizado entre 16 e 19 de setembro registrou Flávio com 41% e Lula com 35% no cenário estimulado. Na pesquisa espontânea, os dois apareceram com 28% e 27%, respectivamente.

No Mato Grosso do Sul, pesquisa realizada entre 5 e 9 de setembro apontou Flávio Bolsonaro com 43% e Lula com 33% no cenário estimulado. Na modalidade espontânea, os percentuais foram de 27% e 24%, respectivamente.

Reta final

Com o primeiro turno se aproximando, as pesquisas registram tanto eleitores que já manifestam preferência por um candidato quanto pessoas que ainda não indicam espontaneamente um nome.

Os levantamentos, porém, representam retratos do momento em que as entrevistas foram realizadas e não permitem determinar como esses eleitores irão se comportar diante das urnas. No caso do levantamento nacional do Real Time Big Data, as entrevistas ocorreram entre 19 e 23 de setembro, antes da última semana de campanha.