Ex-prefeito de Campo Grande sofreu queda de pressão e dores no peito menos de dois dias após receber alta; defesa prepara novo pedido de prisão domiciliar
Menos de 48 horas depois de deixar a Santa Casa e retornar ao Presídio Militar Estadual, o ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal precisou ser levado novamente ao hospital após apresentar um quadro de saúde considerado preocupante. O político sofreu um mal-estar na noite de sábado (11), com queda acentuada da pressão arterial, desmaio e dores no peito, sendo encaminhado de volta à unidade de saúde, onde permanece sob observação médica.
Bernal está internado na ala vermelha da Santa Casa, após ter sido socorrido por volta das 22h de sábado. Segundo informações da defesa e de familiares, ele apresentou um episódio de hipotensão — caracterizado por uma forte queda da pressão arterial — e quase perdeu a consciência.
O ex-prefeito havia recebido alta hospitalar na sexta-feira (10), após passar por tratamento em decorrência de um infarto sofrido no início deste mês. Depois da liberação médica, ele retornou ao Presídio Militar Estadual Fidelcino Rodrigues, no Complexo Penal do Jardim Noroeste, onde está preso preventivamente.
Defesa afirma que quadro já havia sido alertado à Justiça
O novo agravamento da saúde ocorreu dois dias após a Justiça negar o pedido de prisão domiciliar apresentado pelos advogados de Bernal.
Segundo o advogado Ricardo Machado, a defesa havia anexado ao processo laudos médicos elaborados por uma cardiologista especialista, indicando que o ex-prefeito necessitava de pelo menos 30 dias de repouso domiciliar após ser submetido a procedimentos para desobstrução de artérias, com implantação de stents.
De acordo com a defesa, a estrutura do sistema prisional não oferece condições adequadas para o período de recuperação pós-cirúrgica.
“Ele não tem condições de permanecer em nenhum presídio. Se não receber os cuidados necessários, corre risco de morrer. Isso está demonstrado em laudo médico”, afirmou o advogado.
Diante da nova internação, a defesa informou que ingressará nesta segunda-feira (13) com um pedido de habeas corpus, buscando novamente substituir a prisão preventiva pela prisão domiciliar.
Juiz manteve prisão preventiva
Na sexta-feira, o juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, rejeitou o pedido de prisão humanitária.
Embora tenha reconhecido a existência de laudos apontando doença arterial coronariana grave, alto risco cardiovascular e necessidade de acompanhamento médico, o magistrado entendeu que a documentação não justificava a substituição da prisão preventiva.
Na decisão, o juiz também considerou que a ausência de estrutura especializada dentro do Presídio Militar não seria suficiente para autorizar a transferência para a residência do ex-prefeito, argumentando que os mesmos recursos hospitalares também não estariam disponíveis em casa.
Quadro clínico inspira cuidados
Desde o início de julho, Bernal enfrenta uma sequência de problemas cardíacos.
Após sofrer um infarto, ele passou por dois procedimentos de cateterismo e, posteriormente, por uma cirurgia para implantação de stents destinados à desobstrução das artérias.
Laudos médicos apresentados pela defesa classificam o ex-prefeito como paciente de altíssimo risco cardiovascular, com possibilidade de novas complicações durante o período de recuperação.
Os advogados também sustentam que o Presídio Militar não dispõe de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), unidade coronariana, cardiologista de plantão ou equipe permanente de enfermagem, dependendo do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e de transferências hospitalares em casos de emergência.
Boletim médico é aguardado
A equipe médica da Santa Casa deve divulgar até esta segunda-feira (13) um boletim oficial com informações sobre o estado de saúde de Bernal, além de detalhar as causas do episódio de hipotensão e definir os próximos procedimentos clínicos.
Alcides Bernal está preso preventivamente desde março deste ano, acusado de participação no assassinato do auditor fiscal Roberto Mazzini. O processo segue em tramitação na Justiça de Mato Grosso do Sul.











