Alcolumbre indica Rodrigo Pacheco para vaga de Bruno Dantas no TCU

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Davi Alcolumbre indicou Rodrigo Pacheco para a vaga de Bruno Dantas no TCU (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

Ex-presidente do Senado é favorito para assumir cadeira no Tribunal de Contas da União; nome ainda precisa passar pelo processo de aprovação do Congresso

A saída antecipada de Bruno Dantas do Tribunal de Contas da União (TCU) abriu espaço para uma mudança que pode levar novamente Rodrigo Pacheco ao centro da política institucional de Brasília. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), formalizou nesta segunda-feira (31) a indicação do ex-presidente da Casa para ocupar a vaga deixada pelo ministro.

Pacheco, que é senador por Minas Gerais e presidiu o Senado entre 2021 e 2025, era apontado como o principal favorito para assumir o posto. A indicação foi formalizada por meio do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 995/2026 e conta com apoio de Alcolumbre e de outros senadores.

O nome de Pacheco deve ser analisado pelo Senado nesta semana. A expectativa é que a votação ocorra até quarta-feira (2), durante o esforço concentrado do Congresso.

Como será a escolha

A vaga pertence ao Senado porque Bruno Dantas havia sido escolhido pela Casa para integrar o TCU em 2014. A Constituição estabelece que o tribunal é formado por nove ministros: seis são indicados pelo Congresso Nacional e três pelo presidente da República.

O processo de escolha de uma vaga indicada pelo Senado prevê análise e votação pelo Congresso. De acordo com informações do próprio Senado, o indicado precisa ser submetido à arguição pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), depois passar pelo plenário do Senado e também ser aprovado pela Câmara dos Deputados. Ao final, a nomeação é formalizada pelo presidente da República.

No caso de Pacheco, porém, há articulação para acelerar a tramitação e levar a indicação diretamente ao plenário, sem a passagem pela comissão, com votação prevista para esta semana.

Pacheco deixou disputa eleitoral

A indicação para o TCU ocorre depois de Pacheco decidir não disputar as eleições de 2026. O senador chegou a ser considerado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu o então advogado-geral da União, Jorge Messias, para o posto.

A escolha de Messias acabou rejeitada pelo Senado após a sabatina, mas Pacheco já havia sinalizado que não pretendia disputar novos cargos eletivos. A possibilidade de assumir uma cadeira no TCU passou, então, a ser considerada uma alternativa para sua continuidade na vida pública.

Antes disso, Pacheco havia comandado o Senado por dois mandatos, entre 2021 e 2025, período em que ganhou projeção nas negociações entre o Congresso e o governo federal.

A indicação ao TCU também representa uma mudança de trajetória para o senador, que deixará a atividade parlamentar caso seja aprovado para a corte.

Bruno Dantas deixa o tribunal

A vaga foi aberta depois que Bruno Dantas apresentou, nesta segunda-feira, o pedido de renúncia ao cargo de ministro do TCU. Aos 48 anos, ele deixa a Corte após 12 anos de atuação e quase três décadas de serviço público.

Dantas foi escolhido pelo Senado em 2014 e presidiu o TCU entre 2023 e 2024. Na carta de renúncia, afirmou que a decisão foi amadurecida nos últimos meses e que pretende iniciar uma nova etapa profissional.

O ex-ministro declarou que pretende se dedicar a projetos ligados à estruturação de investimentos e também avalia oportunidades na iniciativa privada. Entre as possibilidades está a atuação no setor de defesa e em atividades relacionadas a projetos estratégicos.

Em comunicado divulgado pelo TCU, Dantas afirmou que encerra o ciclo no serviço público com a convicção de que a renovação dos ocupantes de cargos de alta responsabilidade institucional fortalece as instituições.

Vaga era considerada estratégica

A saída de Dantas já vinha sendo discutida nos bastidores de Brasília e era acompanhada com atenção por integrantes do Congresso. O ministro havia comunicado a colegas que pretendia antecipar a saída do tribunal, o que abriu caminho para que o Senado escolhesse seu substituto.

Pacheco aparecia entre os nomes mais cotados para a vaga antes mesmo da oficialização da renúncia. A escolha ganhou força depois que ele decidiu não disputar as eleições deste ano.

Com a indicação formalizada, o próximo passo será a votação no Congresso. Se for aprovado, Pacheco passará a integrar o TCU, órgão responsável por fiscalizar a aplicação dos recursos públicos federais e auxiliar o Congresso Nacional no controle externo da administração pública.

A corte é composta por nove ministros e tem entre suas atribuições analisar contas e contratos do governo federal, além de fiscalizar a utilização de recursos públicos.