Piu marca 45s80 em Zurique, supera Karsten Warholm e coloca o Brasil novamente no topo do atletismo de pista após mais de 50 anos
Alison dos Santos, o Piu, chegou à pista de Zurique carregando a expectativa de quem vinha dominando a temporada. Saiu dela como o novo homem mais rápido da história dos 400 metros com barreiras.
O brasileiro marcou 45s80 na etapa da Diamond League, superou em 14 centésimos o recorde de 45s94 estabelecido pelo norueguês Karsten Warholm nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, e venceu novamente o principal rival da carreira.
Warholm terminou a prova em segundo, com 46s69. O nigeriano Ezequiel Nathaniel foi o terceiro, em 47s50, enquanto o também brasileiro Matheus Lima terminou na quarta colocação, com 47s57.
Piu domina a prova
Alison começou a corrida em ritmo forte e foi diminuindo a diferença para Warholm a cada barreira. Na metade do percurso, o brasileiro já havia neutralizado a vantagem do norueguês e passou a abrir distância.
Nos últimos 150 metros, Piu acelerou ainda mais e entrou na reta final com ampla vantagem. Warholm não conseguiu acompanhar o brasileiro, que cruzou a linha de chegada em 45s80 e precisou esperar a confirmação oficial do tempo para comemorar o recorde.
A marca colocou Alison e Warholm em uma lista extremamente restrita: são os únicos atletas da história dos 400m com barreiras a correr abaixo dos 46 segundos.
Recorde encerra longo jejum brasileiro
O resultado de Piu também tem um peso histórico para o atletismo do Brasil.
Com o recorde em Zurique, Alison se tornou o primeiro brasileiro a estabelecer uma marca mundial em uma prova de pista desde João do Pulo, que havia conseguido o feito no salto triplo em 1975.
João do Pulo marcou 17,89 metros e manteve o recorde mundial do triplo até 1985. Desde então, o Brasil teve outros atletas entre os recordistas mundiais, mas em provas de rua, como Ronaldo da Costa, que estabeleceu o recorde da maratona em 1998.
O feito de Alison recoloca o país no grupo de protagonistas do atletismo mundial e consolida uma trajetória que já tinha título mundial e duas medalhas olímpicas.
Rivalidade com Warholm
A vitória em Zurique foi mais um capítulo da disputa entre Alison e Karsten Warholm.
Os dois se enfrentaram diversas vezes nos últimos anos, com o norueguês sendo o principal responsável pela evolução dos 400m com barreiras para a faixa dos 45 segundos.
Warholm estabeleceu o recorde mundial de 45s94 na final olímpica de Tóquio, em 2021, justamente na prova em que Alison conquistou a medalha de bronze.
Cinco anos depois, Piu conseguiu superar a marca que perseguia e ainda venceu Warholm por uma diferença de 89 centésimos na etapa suíça.
O brasileiro também ampliou a vantagem no confronto direto em 2026. Segundo dados divulgados após a prova, esta foi a quinta vitória consecutiva de Alison sobre o norueguês na temporada.
Temporada perfeita
O recorde mundial coroa uma temporada de alto nível de Alison dos Santos.
Antes de Zurique, Piu havia vencido etapas da Diamond League em Shaoxing e Xiamen, na China, Oslo, na Noruega, e Silésia, na Polônia. Na etapa polonesa, ele havia estabelecido sua melhor marca da temporada até então, com 46s43.
No Troféu Brasil, em São Paulo, Alison também havia vencido os 400m com barreiras, com 46s48.
O brasileiro chega agora à decisão da Diamond League, marcada para os dias 4 e 5 de setembro, em Bruxelas, na Bélgica, como líder do ranking da temporada e dono da melhor marca da história da prova.
Campeão mundial e duas vezes medalhista olímpico
Aos 26 anos, Alison já acumulava uma carreira de destaque antes mesmo do recorde mundial.
Ele foi campeão mundial dos 400m com barreiras em Eugene, nos Estados Unidos, em 2022. No Mundial de 2025, conquistou a medalha de prata.
Nos Jogos Olímpicos, Piu foi bronze em Tóquio, em 2021, e repetiu a medalha em Paris, em 2024.
Agora, porém, o brasileiro alcançou a marca que faltava em seu currículo: o recorde mundial.
Resultado da prova em Zurique
- Alison dos Santos (Brasil) — 45s80
- Karsten Warholm (Noruega) — 46s69
- Ezequiel Nathaniel (Nigéria) — 47s50
- Matheus Lima (Brasil) — 47s57
- Abderrahman Samba (Catar) — 47s77
- Matic Ian Gucek (Eslovênia) — 47s80
- Dany Brand (Suíça) — 48s92
- Chris Robinson (Estados Unidos) — 51s41.
A vitória em Zurique não foi apenas mais um título para Alison dos Santos. Foi a corrida que colocou o nome de Piu no topo da lista dos maiores velocistas com barreiras da história e devolveu ao Brasil um recorde mundial em prova de pista depois de mais de cinco décadas.











