Apex mantém aposta nos EUA e reserva R$ 30 milhões para enfrentar impacto do tarifaço

6
Frutas estão entre os itens que mais podem ser prejudicados com o novo tarifaço (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Estratégia prevê promoção de produtos isentos e articulação para ampliar a lista de mercadorias livres das taxas

A estratégia da Apex Brasil diante do tarifaço dos Estados Unidos será manter os esforços no mercado americano, ao mesmo tempo em que amplia a busca por novos destinos para os produtos brasileiros. A agência prevê investir R$ 30 milhões nos próximos 12 meses em ações nos EUA e outros R$ 210 milhões em um plano emergencial para diversificar as exportações.

O presidente da Apex Brasil, Laudemir Müller, afirmou em entrevista ao JR Entrevista, da Record, que o mercado americano continuará entre as prioridades da agência, apesar das tarifas impostas a produtos brasileiros. Segundo ele, os recursos destinados aos Estados Unidos serão utilizados principalmente para promover produtos que ficaram fora da taxação e tentar ampliar a lista de mercadorias isentas.

“Nós vamos continuar trabalhando com o nosso escritório em Washington, junto com o setor privado brasileiro e o setor privado americano, para aumentar as isenções”, afirmou Müller.

A íntegra da entrevista será exibida às 22h30 desta quarta-feira (19), na Record News, e também ficará disponível no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

Apex quer ampliar produtos isentos nos EUA

Dos R$ 30 milhões previstos para os próximos 12 meses, parte será destinada à promoção comercial de produtos brasileiros que continuam entrando no mercado americano sem as novas tarifas. Outra frente será a articulação com empresas e autoridades para tentar ampliar as isenções.

A agência também pretende apoiar empresas brasileiras que já exportam ou mantêm operações nos Estados Unidos. A preocupação é reduzir os impactos provocados pelo aumento dos custos e pela perda de competitividade dos produtos nacionais.

Para Müller, as tarifas prejudicam tanto empresas brasileiras quanto consumidores americanos. Entre os setores que podem sentir os efeitos estão os de calçados, madeira, rochas ornamentais e frutas.

“As empresas americanas também não querem essa tarifa, porque são elas que pagam. O comprador americano não quer pagar 40% a mais de um dia para o outro na mesma fruta, na mesma rocha, na mesma madeira”, disse.

Segundo o presidente da Apex, o aumento dos preços também pode pressionar a inflação nos Estados Unidos.

Tarifaço pode chegar a 37,5%

Em julho, os Estados Unidos passaram a aplicar duas tarifas sobre produtos brasileiros que, somadas, podem chegar a 37,5%.

Uma delas é de 25%, estabelecida sob a alegação de práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano. A outra, de 12,5%, foi criada sob a justificativa de que o Brasil não estaria combatendo adequadamente o trabalho forçado.

Diante desse cenário, a Apex decidiu ampliar a estratégia de diversificação dos mercados compradores.

R$ 210 milhões para buscar novos mercados

Além dos R$ 30 milhões destinados às ações nos Estados Unidos, a Apex prepara um plano emergencial de R$ 210 milhões para ajudar empresas brasileiras a encontrar novos compradores no exterior.

A intenção é reduzir a dependência de mercados afetados pelas novas tarifas e criar alternativas para os exportadores brasileiros. A estratégia, porém, não significa deixar de atuar nos Estados Unidos.

“Nós estamos, sim, focados na diversificação para socorrer as empresas, para encontrar compradores de mercados alternativos, mas nós não vamos abandonar o mercado americano”, afirmou Müller.

Para encontrar novos compradores, a agência pretende utilizar uma carteira com pelo menos 2 mil empresas internacionais. A proposta é identificar compradores que tenham demanda pelos produtos oferecidos por empresas brasileiras e aproximar diretamente as duas partes.

A Apex também pretende utilizar feiras internacionais para apresentar produtos nacionais a potenciais compradores.

36 mercados estão no radar

De acordo com Müller, a estratégia de diversificação deverá concentrar esforços em 36 mercados. Entre os países citados estão Índia, China, Singapura, Malásia, Indonésia, Tailândia, Vietnã, Turquia, Nigéria, Etiópia, África do Sul, Canadá e México.

A proposta é ampliar a presença de produtos brasileiros no exterior enquanto a agência mantém as negociações e ações de promoção comercial nos Estados Unidos.

Para a Apex, a combinação das duas frentes busca preservar os negócios já estabelecidos no mercado americano e, ao mesmo tempo, criar novas oportunidades para empresas brasileiras em outros países.