Após anulação dos votos de Jerson Domingos, TRE-MS fará retotalização

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Jerson Domingos (Foto; Assessoria)

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) realiza, na quarta-feira (21), às 16h30, no plenário, o reprocessamento da totalização dos votos do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 para os cargos de deputado estadual e federal.

A medida cumpre decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que indeferiu, por unanimidade, o registro de candidatura de Jerson Domingos, da Federação União Progressista (UNIÃO/PP).

Com a anulação, os 16.884 votos recebidos pelo candidato deixam de ser contabilizados, o que exige o recálculo da distribuição de vagas entre partidos, federações e da ordem de suplência.

A mudança principal deve ocorrer apenas na suplência: Dione Hashioka (União) passa a ser a segunda suplente, ficando atrás do ex-secretário Marcelo Miranda (PP), primeiro suplente com 23.112 votos.

A cerimônia de retotalização poderá considerar também decisões do TSE proferidas até o horário marcado que afetem outras candidaturas. Ao final, será emitido o relatório com o resultado atualizado, que passa a integrar o processo oficial de apuração das eleições.

Impugnação tem origem em investigações do Gaeco

O pedido de impugnação foi apresentado pelo Ministério Público Eleitoral com base em denúncias do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em dois processos:

  • Segunda fase da Operação Omertá: acusação de embaraçar investigação de organização criminosa;
  • Terceira fase — Operação Armagedon: suspeita de integração em organização criminosa armada e tráfico de armas de fogo.

Conforme as acusações, Jerson Domingos teria atuado como “consiglieri” da liderança do grupo, com atribuição de resolver conflitos e proteger os interesses da organização.

O Ministério Público aponta ainda que ele teria sido incumbido de conseguir armas e contratar executores para um suposto plano de atentado contra um promotor do Gaeco, um delegado e um defensor público.

A ação não chegou a ser executada por causa da deflagração da operação em março de 2020. Uma testemunha protegida declarou que o acusado viajou ao Rio de Janeiro para recrutar os autores do ataque.

Em abril de 2024, a 1ª Vara Criminal de Campo Grande desmembrou os processos e encaminhou cópias ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), reconhecendo prerrogativa de foro. O caso tramita na Corte Especial, sob relatoria do ministro Luis Felipe Salomão.