Após quatro anos de espera, pacientes conseguem fazer ressonância no Hospital Regional de Dourados

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(Foto: HRD)

Equipamento instalado com investimento de R$ 7,5 milhões atende moradores de 34 municípios e tem capacidade para realizar cerca de 500 exames por mês

Quando ainda era madrugada, Adelina Sales já estava de pé para enfrentar horas de viagem até Dourados. Moradora da zona rural, ela deixou a propriedade onde vive por volta das 3h para chegar ao Hospital Regional pouco antes das 7h. O esforço tinha um motivo: realizar uma ressonância magnética pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após quase quatro anos de espera.

A aposentada faz tratamento para artrose no joelho e já havia passado por consultas, encaminhamentos e até realizado um exame fora de Mato Grosso do Sul. Mesmo assim, ainda aguardava uma nova ressonância para dar continuidade ao atendimento médico. “Levantamos meia-noite para poder estar aqui. Saímos de casa às três da manhã e chegamos quase às sete. Foi cansativo, mas graças a Deus deu tudo certo. A gente mora na roça e ficava esperando, esperando, e nunca saía. Agora saiu, graças a Deus”, contou.

A realidade de Adelina começou a mudar após a instalação do primeiro aparelho de ressonância magnética da rede pública no Hospital Regional de Dourados. O equipamento entrou em operação no dia 27 de abril e passou a atender pacientes de 34 municípios da macrorregião do Cone Sul de Mato Grosso do Sul.

Com capacidade para realizar cerca de 500 exames por mês, o novo serviço reduz a necessidade de deslocamentos para outras cidades e amplia o acesso a exames de alta complexidade para quem depende exclusivamente do SUS.

Além do atendimento, Adelina diz que ficou surpresa com a forma como foi recebida na unidade. “Tem lugar que parece que a gente é tratada diferente porque é da roça. Cheguei e já vieram pegar meus documentos, me encaminharam rápido, os médicos atenderam muito bem. Fui muito bem tratada”, afirmou.

Espera de anos

A demora por exames especializados também fez parte da rotina de Luciene de Medeiros, moradora de Itaporã. Ela convive com bursite e rompimento de tendões nos ombros e aguardava uma ressonância magnética desde 2019.

O pedido para cirurgia foi feito em 2023, mas dependia da realização do exame. “Esse exame que vim fazer hoje já estava esperando há mais de dois anos”, relatou.

Para ela, a chegada do equipamento ao Hospital Regional representa uma mudança significativa para pacientes que não têm condições de pagar por exames particulares. “Se depender de pagar, muita gente nunca consegue fazer. Então isso aqui faz diferença demais para a população”, afirmou. Luciene também elogiou a estrutura da unidade. “Já é a terceira vez que venho aqui e continuo achando maravilhoso. A estrutura é muito boa e os aparelhos ajudam bastante.”

Investimento amplia atendimento

O aparelho de ressonância magnética recebeu investimento de R$ 7,5 milhões da Secretaria de Estado de Saúde e amplia a capacidade de diagnóstico da rede pública na região.

Segundo o médico João Hoffmann, que atua no Hospital Regional de Dourados, o exame é fundamental para diversas especialidades e permite acelerar diagnósticos e definir tratamentos com maior precisão. “A ressonância vem para somar à ortopedia de alta complexidade, com atendimentos voltados para coluna, ombro, joelho e lesões ligamentares, além de auxiliar em cirurgias do aparelho digestivo e outros métodos diagnósticos necessários dentro da rede”, explicou.

A tecnologia também beneficia pacientes que, até então, precisavam enfrentar longas viagens, filas de espera e custos indiretos para realizar o exame em outras localidades.

Para moradores do interior, especialmente de comunidades rurais, a disponibilidade do equipamento em Dourados reduz o tempo entre a suspeita médica e a confirmação do diagnóstico, etapa considerada decisiva para o início ou continuidade do tratamento.

Depois de anos aguardando por uma vaga, Adelina resume o significado da mudança de forma simples. A ressonância não encerra o tratamento da artrose, mas representa o início de uma nova etapa, agora com a possibilidade de seguir o acompanhamento médico sem a incerteza que marcou sua espera durante tantos anos.