Justiça decreta a prisão preventiva de 4 envolvidos na ‘Lama Asfáltica’

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Publicado em 09/03/2018 11h15

Após STF negar habeas corpus a Amorim, Justiça decreta a prisão preventiva de 4 envolvidos na ‘Lama Asfáltica’

Dos quatro que tiveram a prisão decretada, já se entregaram a Polícia Federal o ex-secretário de Obras do Estado e ex-deputado federal, Edson Giroto, e o empresário Flávio Henrique Scrochio

G1/MS

A Justiça Federal em Mato Grosso do Sul decretou quinta-feira (8) a prisão preventiva do empresário João Amorim dele e de outros três suspeitos de envolvimento no desvio de recursos públicos por meio de fraudes a licitações que foi investigado na segunda fase da Operação Lama Asfáltica, da Polícia Federal.

Os quatro suspeitos que tiveram a prisão preventiva decretada se apresentaram na manhã desta sexta-feira (9) na Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande: o ex-secretário de Obras do Estado e ex-deputado federal, Edson Giroto, e o empresário Flávio Henrique Scrochio. o fiscal de obras da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano e o empresário João Amorim.

A prisão foi decretada após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar na terça-feira (6) o pedido de habeas corpus do empresário João Amorim. A decisão se estendeu aos demais investigados.

Além das prisões preventivas, a Justiça Federal decretou também mais quatro prisões domiciliares para alguns familiares dos suspeitos. Todas já foram cumpridas.

Lama Asfáltica

As investigações sobre o suposto esquema de corrupção tiveram início em 2013. Na primeira fase da apuração, foi verificada a existência de um grupo que, por meio de empresas em nome próprio e de terceiros, superfaturaram obras contratadas com a administração pública, mediante corrupção de servidores públicos e fraudes a licitações, ocasionando desvios de recursos públicos. Atualmente, a operação está na 5ª fase.

As investigações da Polícia Federal apontam que o empreiteiro João Amorim agia como se fosse o “dono” de todas as obras de Mato Grosso do Sul. Para permitir que outras empresas trabalhassem no estado, ele cobrava propina.

Conforme as investigações, em dezembro de 2014, Amorim e o então secretário Estadual de Obras, Edson Giroto, foram até Presidente Prudente, no interior paulista, se reunir com outro empreiteiro para cobrar dinheiro do vencedor da licitação para as obras na MS-430.

A rodovia estadual liga Rio Negro a São Gabriel do Oeste, na região centro-norte do estado. A obra foi considerada estratégica na ligação do centro ao leste de Mato Grosso do Sul e recebeu investimento do programa de desenvolvimento regional. O programa tinha convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Regional (BNDES), que foi firmado em novembro de 2012.

Além das obras na MS-430, a MS-040 também rendeu a Amorim pagamentos por serviços não realizados, como descobriu a Controladoria-Geral da União (CGU). A auditoria da CGU encontrou obras irregulares na manutenção da rodovia. Nos dois contratos, o superfaturamento chega a quase R$ 11 milhões.

O ex-secretário de Obras de MS, Edson Giroto, teve prisão preventiva decretada pela Justiça Federal e já se apresentou a sede da PF em Campo Grande (Foto: Arquivo/Leandro Abreu/G1MS)