Atrasos do transporte público impactam na qualidade de vida do trabalhador, diz CDL/CG

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(Foto: PMCG)

Pesquisa realizada diretamente com os usuários do transporte público apontou para um descontentamento com a prestação do serviço, enquadrado como essencial para o cotidiano da cidade. Um dos pontos mais reclamados foi a quebra constante dos ônibus e as condições precárias das ruas e avenidas que, em comum, fazem atrasar a circulação do itinerário.

O tempo de viagem dos passageiros, entre a saída de casa até o local de destino, como trabalho, escola ou comércio para compras, chega a passar das quatro horas. No acumulado de um ano, esse tempo representa 44 dias inteiros dedicados exclusivamente ao deslocamento entre a residência e o trabalho.

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL/CG), Adelaido Figueiredo, afirmou que o setor varejista é um dos mais impactados pelos atrasos do transporte público. “O consumidor encontra um trabalhador desmotivado, cansado, porque passou 2h entre o ponto e a chegada ao emprego e vai ter que enfrentar mais 2h no final do expediente. São 4h perdidas por dia, é desumano”.

Outro ponto trabalhado pela pesquisa foi a vida noturna da Capital. Para 73% dos usuários entrevistados, a oferta de ônibus após as 21h é crítica ou inexistente, resultando em esperas superiores a uma hora. Diante disso, a falta de opções força trabalhadores a comprometerem até 30% da renda com transporte particular ou a desistirem de vagas no período noturno.

“A gente deixa de produzir, de ter qualidade de vida e, quando não se tem qualidade de vida, se adoece mais. Campo Grande [fica] numa condição de cidade triste, em que o cidadão acaba sendo penalizado pela ineficiência da administração”, criticou o presidente da CDL/CG. O estudo foi realizado juntamente com o SPC Brasil, de 27 a 30 de abril, com 280 usuários do sistema de transporte coletivo. Confira o questionário abaixo e as respostas:

“Somando o tempo de espera no ponto, os transbordos nos terminais e o tempo de viagem, quanto tempo do seu dia você dedica exclusivamente ao trajeto de ida e volta ao trabalho?”

  • 63% levam, em média, 4 horas por dia (equivalente a 44 dias por ano).
  • 22% enfrentam casos extremos de 5h a 6h por dia (equivalente a 66 dias por ano).
  • 15% dedicam até 2 horas por dia.

“Na sua percepção, qual o principal motivo para os atrasos diários e para a sensação de desconforto durante a viagem?”

  • 70% apontam o estado precário das vias e as quebras mecânicas dos veículos.
  • 18% apontam o trânsito excessivo de veículos leves nos horários de pico.
  • 12% apontam a falta de ônibus suficientes nas linhas.

“Como você avalia a estrutura do ponto de ônibus que você utiliza diariamente em relação ao conforto, proteção e segurança?”

  • 65% avaliam como PÉSSIMO (locais sem cobertura, assentos ou iluminação).
  • 21% avaliam como RUIM (pontos com bancos quebrados ou telhas danificadas).
  • 14% avaliam como REGULAR (abrigos padronizados em áreas centrais ou shoppings).

“Como você avalia a oferta de transporte e a sua segurança ao utilizar o sistema no período noturno (após as 21h)?”

  • 73% avaliam como CRÍTICO/INEXISTENTE (espera superior a 60 minutos e abandono).
  • 18% avaliam como INSEGURO (relatam medo constante pela falta de luz nos pontos).
  • 9% avaliam como SATISFATÓRIO (usuários de linhas troncais com frequência mínima).

“Como você avalia a eficiência dos novos corredores de ônibus e as condições de infraestrutura e higiene dos terminais de transbordo?”

  • 67% avaliam como CRÍTICO (corredores travados e terminais em estado de abandono estrutural).
  • 22% avaliam como REGULAR (percebem ganho de tempo, mas reclamam da falta de integração).
  • 11% avaliam como POSITIVO (utilizam trechos recém-recapeados).