A categoria dos bancários cumpre nesta quinta-feira (20) paralisação nacional de 24 horas, em mobilização que também atinge Dourados, Campo Grande e toda a região. A decisão foi mantida mesmo após a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ter recuado de pontos controversos de sua proposta na véspera, sem, contudo, apresentar índice de reajuste salarial — o que levou os trabalhadores a manterem a mobilização como forma de pressão.
Segundo o presidente do Sindicato de Dourados e Região, Janes Estigarribia, as agências permanecerão sem atendimento presencial durante todo o dia. Apenas os caixas eletrônicos e canais digitais seguem operantes. “O atendimento ao público dentro da agência não vai funcionar”, reforçou. A mobilização foi aprovada em assembleia na segunda-feira (17), mesma data em que o Comando Nacional dos Bancários decretou o Dia Nacional de Paralisação.
A reação da Fenaban veio na quarta-feira (18), quando a federação retirou da proposta pontos rejeitados pela categoria: reajustes por faixa salarial, diferenciação de vales-refeição entre cidades e congelamento do piso de ingresso para novos funcionários. Os banqueiros chegaram a condicionar a continuidade das negociações ao cancelamento da paralisação, mas recuaram e marcaram retorno à mesa para a segunda-feira (24), após reunião interna do setor na sexta-feira (21).
A decisão de manter a greve se deu porque, mesmo com os recuos, os bancos não apresentaram nenhum índice de reajuste na rodada. Os trabalhadores seguem reivindicando reposição com ganho real, suspensão de demissões, fim da sobrecarga e metas abusivas, além de combate ao assédio e garantia de condições dignas de trabalho.
Para a presidente do Sindicato de Campo Grande e Região, Neide Rodrigues, a resistência dos bancos em valorizar a categoria contrasta com os lucros recordes do setor. “Os dados não mentem: com lucros nas alturas, os bancos têm todas as condições de atender às reivindicações. Esses resultados são fruto do trabalho duro dos bancários, que merecem valorização”, destacou.
A luta também envolve a defesa da rede de atendimento. Dados do movimento sindical mostram que o número de agências no Brasil caiu de 22.786 em 2015 para 13.291 em 2026, deixando quase metade dos municípios brasileiros sem nenhuma unidade — o que prejudica principalmente idosos, população de baixa renda e pequenos comerciantes.
Em nota, a Fenaban afirmou que acompanha o movimento e que as negociações seguem conforme o cronograma. A categoria, porém, deixa claro: a paralisação segue como instrumento legítimo de pressão até que haja proposta concreta de reajuste e avanços nas demais reivindicações.





















