Veja 5 atitudes que ajudam na inclusão de pessoas com deficiência

5
Cadeirante (Foto: Arquivo/Gov. MS)

Psicólogo explica como pequenas mudanças na convivência podem favorecer autonomia, participação e respeito às necessidades individuais

A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla ocorre anualmente de 21 a 28 de agosto. A mobilização é realizada pela Federação Nacional das Apaes desde 1963 e foi instituída oficialmente no calendário nacional pela Lei nº 13.585/2017, com o objetivo de ampliar a conscientização sobre as necessidades específicas das pessoas com deficiência e combater o preconceito e a discriminação.[CP1] 

Mais do que falar sobre inclusão, a data também chama a atenção para atitudes que fazem diferença na rotina. Para Danillo Calixto, coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Campo Grande, muitas situações de exclusão acontecem de maneira sutil, inclusive quando existe uma intenção genuína de ajudar.

“Uma das principais mudanças é deixar de pensar apenas no que a pessoa não consegue fazer e observar quais condições podem ajudá-la a participar. A deficiência não elimina a possibilidade de escolha, de desenvolvimento e de autonomia. O apoio precisa existir quando é necessário, mas não deve substituir aquilo que a pessoa consegue fazer por conta própria”, explica.

Confira cinco atitudes que podem contribuir para uma convivência mais inclusiva:

1. Pergunte antes de ajudar

Em situações cotidianas, oferecer ajuda automaticamente pode transmitir a ideia de que a pessoa não é capaz de realizar determinada tarefa. A recomendação é perguntar se ela precisa de auxílio e respeitar a resposta. Em uma pessoa com deficiência física, por exemplo, empurrar uma cadeira de rodas sem autorização pode atrapalhar mais do que ajudar.

2. Fale diretamente com a pessoa, e não apenas com quem a acompanha

Quando uma pessoa com deficiência está acompanhada por familiar, cuidador ou profissional de apoio, é comum que terceiros direcionem perguntas e explicações ao acompanhante. O psicólogo explica que, sempre que possível, a comunicação deve ser feita diretamente com a pessoa, respeitando sua forma de se expressar e o tempo necessário para a resposta.

No caso de uma pessoa com deficiência intelectual, por exemplo, isso significa não presumir que ela não compreenderá uma pergunta ou que outra pessoa deve responder por ela. Se houver dificuldade de comunicação, recursos alternativos podem ser utilizados, mas sem retirar sua participação na conversa.

3. Dê tempo para que a pessoa realize as tarefas

A pressa de quem está ao redor pode acabar transformando uma atividade que seria realizada de forma independente em uma situação de dependência. Por isso, é importante respeitar o ritmo individual antes de intervir.

Uma pessoa com deficiência intelectual pode precisar de mais tempo para compreender uma instrução e organizar uma resposta. Da mesma forma, alguém com limitações motoras pode levar mais tempo para executar uma atividade cotidiana. “O tempo diferente não significa incapacidade. Interromper ou fazer pela pessoa, sem necessidade, pode diminuir as oportunidades de desenvolver e exercitar a própria autonomia”, afirma o especialista.

4. Evite elogios que tratem atividades comuns como algo extraordinário

Outro comportamento que pode parecer positivo, mas reforça estereótipos, é transformar tarefas cotidianas em motivo de admiração excessiva apenas porque são realizadas por uma pessoa com deficiência.

Estudar, trabalhar, praticar um esporte, cuidar da própria rotina ou participar de uma atividade social são experiências que não precisam ser tratadas como excepcionais simplesmente pela existência de uma deficiência. Para Danillo, reconhecer conquistas é importante, mas o foco deve estar na pessoa e em seu esforço, e não em uma visão de “superação” associada à deficiência.

5. Inclua a pessoa nas decisões que dizem respeito a ela

Escolher uma atividade, decidir o que comer, organizar compromissos ou definir como prefere receber determinado auxílio são exemplos de decisões que devem envolver a própria pessoa, sempre considerando suas capacidades de comunicação e compreensão.

Em famílias que convivem com pessoas com deficiência intelectual, o psicólogo recomenda atenção especial à tendência de os familiares decidirem tudo antecipadamente. “A proteção é necessária em algumas situações, mas ela não pode significar retirar todas as possibilidades de escolha. Mesmo quando existem limitações importantes, é possível identificar quais decisões a pessoa consegue tomar e criar condições para que participe delas”, explica.[CP2] 

Pessoas que buscam atendimento na área da saúde mental em Campo Grande também podem procurar a Clínica-Escola de Psicologia do Centro Universitário Anhanguera. Os interessados, ou responsável, em casa de menores, precisa ir até a clínica-escola e preencher a ficha de cadastro. Após o cadastro, será avaliada a disponibilidade de vaga.

Faixa etária: crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Quando acontecem os atendimentos: segunda das 18h30 às 21h30

Quarta das 18h30 às 21h30

Quinta das 13h30 às 16h30

Sexta das 8h às 11 e das 13h30 às 16h30

Endereço: Avenida Gury Marques, 3203, Vila Olinda (a clínica fica localizada no bloco A, térreo)

Os atendimentos são supervisionados pelos professores orientadores de estágio.