Boca de urna aponta vantagem da coalizão de Berlusconi na Itália

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Publicado em 04/03/2018 18h59

Boca de urna aponta vantagem da coalizão de Berlusconi na Itália

Percentual obtido pela coalizão, no entanto, não é suficiente para que governo seja formado. Movimento 5 Estrelas deve ficar em segundo lugar.

G1

A coalizão de centro-direita que une o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi com outros partidos de extrema-direita desponta como vencedora das eleições gerais na Itália, segundo pesquisa de boca de urna divulgada pelo instituto Piepoli.

Citada pela agência Associated Press, a estimativa aponta a coalizão de direita com 33% a 36% dos votos, comparada com 29,5% a 32,5% do partido Movimento 5 Estrelas (M5E). O percentual obtido pela coalizão de direita, se confirmado, não seria suficiente para formar um governo.

Se as pesquisas se consolidarem, o M5S, liderado por Luigi Di Maio será o partido mais votado das eleições, visto que a coalizão de direita reúne três partidos.

Em entrevista à emissora La7, Alfonso Bonafede, aliado próximo de Di Maio, disse que o partido será um “pilar” da nova legislatura, mas ponderou que as pesquisas devem ser interpretadas com cautela.

Já a coalizão de centro-esquerda, liderada pelo Partido Democrático, de Matteo Renzi, recebeu entre 24,5% e 27,5% dos votos, segundo a pesquisa. A margem de erro do levantamento é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

A votação foi encerrada às 23 horas de Roma (19 horas de Brasília), e foi marcada por longas filas e pelo clima de indecisão dos eleitores. De acordo com o Ministério do Interior, a participação no pleito foi de 71,48% dos eleitores, uma queda se comparado com o ano de 2013, quando 75% dos eleitores participaram da votação.

Sistema eleitoral confuso

As mudanças nas leis eleitorais da Itália, efetuadas no ano passado, exigiram um novo tipo de cédula de votação. Segundo alguns especialistas consultados pela Associated Press, as alterações podem confundir eleitores e resultar em uma porcentagem elevada de cédulas inválidas.

Os eleitores podem escolher um candidato, um partido, ou ambos. Ao contrário das eleições passadas, se optarem por votar em um candidato e em um partido, as escolhas devem corresponder.

Analistas acreditam que a mudança pode prejudicar o Movimento 5 Estrelas, já que a maioria de seus candidatos é desconhecida. Caso um eleitor escolha o M5E, mas vote também em um candidato mais familiar de outro partido, seu voto será desconsiderado.

Protesto

O ex-premiê Silvio Berlusconi foi alvo de protesto de uma ativista feminista enquanto votava. Ela subiu na mesa em frente a ele com os seios à mostra.

Ele não pode assumir nenhum cargo político até 2019, por causa de uma condenação por fraude fiscal. No entanto, escolheu como candidato de seu partido Antonio Tajani, atual presidente do parlamento europeu.

Líder da Forza Italia, Silvio Berlusconi vota em Milão, na Itália (Foto: Reuters/Stefano Rellandini)