Seleção é derrotada por 2 a 1 nas oitavas de final, interrompe sonho do hexa e repete um cenário que não vivia havia mais de três décadas
O Brasil voltou a se despedir cedo de uma Copa do Mundo. Neste domingo (5), a Seleção Brasileira perdeu por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final do Mundial de 2026, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e deu adeus ao sonho do hexacampeonato. O resultado iguala a pior campanha do país em Copas desde 1990, quando caiu para a Argentina também nas oitavas de final, e amplia a sequência de eliminações para seleções europeias em confrontos decisivos.
A queda precoce aumenta a pressão sobre o trabalho do técnico Carlo Ancelotti, que assumiu a equipe cercado de expectativas para liderar a reconstrução da Seleção. Apesar da classificação na fase de grupos, o Brasil voltou a demonstrar dificuldades diante de um adversário europeu em um mata-mata e não conseguiu reagir após sofrer a virada.
O duelo começou equilibrado, mas a primeira grande oportunidade foi brasileira. Aos 13 minutos do primeiro tempo, Matheus Cunha sofreu pênalti após revisão do árbitro pelo VAR. Bruno Guimarães assumiu a cobrança, bateu no canto esquerdo, sem força, e viu o goleiro norueguês defender, desperdiçando a melhor chance da Seleção abrir o placar.
O lance entrou para a história de forma negativa. O volante do Newcastle tornou-se o primeiro jogador brasileiro a desperdiçar um pênalti no tempo regulamentar de uma Copa do Mundo desde Zico, que errou uma cobrança diante da França nas quartas de final do Mundial de 1986, no México. Antes deles, apenas Waldemar de Brito, em 1934, e Patesko, em 1938, haviam perdido penalidades durante os 90 minutos de uma partida de Copa.
Mesmo após o pênalti desperdiçado, o Brasil cresceu na partida e passou a controlar mais a posse de bola, mas voltou a esbarrar na falta de eficiência nas conclusões. A equipe criou poucas oportunidades claras e não conseguiu transformar o domínio territorial em vantagem no placar.
Na volta do intervalo, a Seleção iniciou a etapa final pressionando a Noruega. A entrada de Endrick no lugar de Matheus Cunha aumentou a intensidade ofensiva e o Brasil esteve perto de marcar nos primeiros minutos. Entretanto, ao adiantar suas linhas, a equipe passou a oferecer mais espaços para os contra-ataques adversários.
A Noruega aproveitou o momento. Após cruzamento pela direita, Erling Haaland apareceu livre na área para cabecear sem chances para Alisson e abrir o placar. Pouco depois, o atacante voltou a balançar as redes ao acertar um chute de fora da área, ampliando a vantagem e deixando a classificação brasileira ainda mais distante.
Buscando uma reação, Carlo Ancelotti promoveu a entrada de Neymar na metade do segundo tempo. O camisa 10 tentou dar mais criatividade ao setor ofensivo, mas encontrou uma defesa norueguesa bem organizada. Apenas nos acréscimos, o Brasil conseguiu diminuir a diferença, quando Neymar converteu uma cobrança de pênalti, sem tempo para evitar a eliminação.
Além da classificação às quartas de final, a Noruega manteve um retrospecto histórico favorável diante da Seleção Brasileira. Os noruegueses seguem sem nunca terem sido derrotados pelo Brasil em confrontos oficiais, ampliando um tabu que atravessa décadas.
O resultado também reforça um cenário que se tornou recorrente para o futebol brasileiro nas últimas Copas. Desde a conquista do pentacampeonato, em 2002, todas as eliminações da Seleção em fases de mata-mata ocorreram diante de equipes europeias, prolongando um jejum que já dura mais de 20 anos.
Com a eliminação nas oitavas de final, o Brasil registra sua campanha mais decepcionante em Mundiais desde 1990, quando também caiu na primeira fase eliminatória. Nas edições seguintes, a equipe havia alcançado, no mínimo, as quartas de final.
A derrota deve provocar uma série de debates sobre o desempenho da equipe, o planejamento para o próximo ciclo e a continuidade do trabalho da comissão técnica. Enquanto o Brasil encerra sua participação de forma precoce, a Noruega segue viva na disputa pelo título e enfrentará nas quartas de final o vencedor do confronto entre México e Inglaterra.





















