Câmeras e reconhecimento facial entram nos planos de Lula e Flávio para a segurança

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Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (Foto: SEAUD/PR e Vittor Sales/Divulgação)

Petista quer ampliar monitoramento de policiais; candidato do PL propõe sistema nacional integrado a bancos de dados criminais

A tecnologia aparece nos planos de governo de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas com funções diferentes na estratégia de segurança pública apresentada pelos dois candidatos à Presidência. Enquanto o petista propõe ampliar o uso de câmeras corporais pelos policiais e estabelecer regras nacionais para gestão e preservação das imagens, o candidato do PL aposta em um sistema de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais e na instalação de mais de 1 milhão de câmeras em todo o país.

As propostas fazem parte dos programas apresentados pelos candidatos para a eleição presidencial de 2026. O plano de Lula foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e prevê, além das câmeras corporais, a criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação da PEC da Segurança Pública.

Lula propõe ampliar câmeras corporais

O plano de governo de Lula prevê o estímulo ao uso de câmeras corporais pelas forças policiais e a criação de padrões nacionais para utilização, gestão, armazenamento e preservação das imagens.

A proposta está inserida em uma estratégia de fortalecimento dos mecanismos de controle interno e externo da atividade policial. O programa também defende políticas de policiamento de proximidade e maior integração entre as instituições de segurança.

Na avaliação apresentada pelo programa, a União deve ampliar a coordenação das políticas nacionais de segurança pública e apoiar estados e municípios na implementação de medidas de prevenção e combate à criminalidade.

Outra proposta é a criação do Ministério da Segurança Pública. A medida, no entanto, está condicionada à aprovação da PEC da Segurança Pública, que tramita no Senado. O objetivo seria concentrar na nova pasta a coordenação das políticas nacionais, além de ampliar a integração entre União, estados e municípios.

O plano também prevê um Pacto Nacional de Execução Penal para o enfrentamento ao crime organizado, com ações voltadas à modernização do sistema prisional e ao isolamento de lideranças criminosas.

Flávio promete mais de 1 milhão de câmeras

Flávio Bolsonaro apresenta uma estratégia diferente. O plano do candidato do PL prevê a implantação da chamada “Muralha Brasileira”, um sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais.

A proposta é inspirada em sistemas adotados em São Paulo, como o Smart Sampa, da Prefeitura, e o Muralha Paulista, do governo estadual. A ideia é utilizar a tecnologia para localizar foragidos, prevenir crimes e ampliar o monitoramento de espaços públicos.

O programa prevê a instalação de mais de 1 milhão de novas câmeras em todo o país, incluindo equipamentos destinados ao monitoramento de portos, aeroportos e áreas públicas.

A tecnologia seria utilizada em conjunto com outras medidas de endurecimento da política de segurança. Flávio também propõe a construção de cinco novos presídios federais de segurança máxima e a criação de cerca de 500 mil novas vagas no sistema prisional em quatro anos, com a promessa de zerar o déficit carcerário.

Diferenças na política de segurança

Os dois programas reconhecem a necessidade de ampliar o uso de tecnologia e de fortalecer a atuação integrada das forças de segurança, mas partem de estratégias distintas.

Lula concentra a proposta em mecanismos de controle da atividade policial, integração entre os governos e fortalecimento da inteligência e da prevenção. Já Flávio apresenta uma política mais voltada ao endurecimento penal, ao encarceramento e ao monitoramento tecnológico em larga escala.

Os dois candidatos também mencionam o enfrentamento às organizações criminosas e a necessidade de atingir a estrutura financeira das facções. A principal diferença está nos instrumentos escolhidos: o programa petista prioriza coordenação institucional e políticas de prevenção, enquanto o plano do PL enfatiza vigilância, aumento do aparato policial e ampliação do sistema prisional.