As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser assunto restrito aos consultórios e às mídias sociais para ocupar também um espaço decisivo na formação dos profissionais de Saúde. Na UNIGRAN, os agonistas do GLP-1 foram o centro do principal debate científico da Jornada Acadêmica do Curso de Nutrição 2026, que reuniu acadêmicos e profissionais entre 31 de agosto e 2 de setembro, em Dourados.
Com o tema ‘Nutrição Avançada, Evidências e Sustentabilidade’, a programação teve como destaque a palestra ‘Agonistas do GLP-1: da fisiopatologia à prática clínica multiprofissional’, conduzida pela médica nutróloga Gabriela Matos e pela nutricionista Radharani Bueno.
Para a coordenadora do curso, Fernanda Viana de Carvalho Moreto, levar a discussão para dentro da universidade é uma forma de aproximar a formação acadêmica de uma realidade que já está presente nos consultórios. “Os agonistas de GLP-1 já fazem parte da realidade da prática clínica e estão transformando a forma como lidamos com obesidade e doenças metabólicas”, afirma.
Segundo ela, a proposta é ultrapassar a visão popular das chamadas “canetas para emagrecer” e discutir indicações, mecanismos de ação, efeitos adversos e impactos sobre a alimentação e a massa muscular. A abordagem também reforça que a medicação não substitui alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional.
A palestrante Radharani Bueno destaca que o medicamento deve ser compreendido como parte de uma estratégia mais ampla de cuidado. “O medicamento vira uma ferramenta, muito potente, mas uma ferramenta, dentro de um tratamento que envolve nutrição, atividade física, saúde mental, reeducação alimentar e acompanhamento médico”, explica.
Nesse contexto, o acompanhamento nutricional ganha papel decisivo. A redução do apetite pode fazer com que o paciente consuma menos nutrientes e apresente perda de massa muscular. Cabe ao nutricionista, portanto, trabalhar aspectos como densidade nutricional, ingestão proteica, organização das refeições, manejo de sintomas e construção de hábitos sustentáveis.
Radharani também alerta sobre as informações equivocadas que circulam nas mídias e representam grande risco. “O mais comum é achar que o remédio “já resolve sozinho” e que não precisa de acompanhamento nenhum. Também vejo muito a ideia de que qualquer pessoa pode usar para fins estéticos, sem ter obesidade ou comorbidade e isso pode ser perigoso, porque quem não tem indicação perde muito mais músculo proporcionalmente do que gordura, além da desinformação sobre parar o remédio de um dia parao outro, sem desmame, achando que “já emagreceu, terminou” e a compra de forma informal, sem procedência, sem acompanhamento médico nenhum”.
A programação também marcou o Dia do Nutricionista, celebrado em 31 de agosto, e integrou as comemorações dos 50 anos da UNIGRAN. Na abertura, foram homenageadas Caroline e Mirele, egressas da primeira turma de Nutrição da Instituição, formada em 2005. O curso integra a história da UNIGRAN desde 2002 e atualmente possui nota máxima na avaliação do MEC.
Ao destacar a trajetória do curso, o Reitor Renato de Aguiar Lima Pereira ressaltou que a formação profissional exige atualização e compromisso com a ciência. Para ele, a Jornada representa justamente a aproximação entre conhecimento acadêmico e experiência profissional.
“A Nutrição ocupa hoje um espaço cada vez mais decisivo na promoção da saúde e da qualidade de vida. E exercer essa profissão exige muito mais do que conhecimento técnico. Exige atualização permanente, pensamento crítico, responsabilidade e, sobretudo, compromisso com a ciência”, destacou o Reitor.
A jornada teve como encerramento uma atividade prática de culinária, fechando uma agenda que combinou atualização científica, integração e valorização da trajetória construída pelo Curso de Nutrição.











