A Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa/MS) acompanha o cenário climático diante da previsão de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses. O fenômeno pode provocar alterações no regime de chuvas e nas temperaturas, com possíveis reflexos sobre a produção, a qualidade, a oferta e os preços de frutas e hortaliças.
O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), aponta mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro, com alta probabilidade de permanência do fenômeno até o início de 2027.
Para o hortifrúti, o principal alerta está na possibilidade de chuvas excessivas, períodos de déficit hídrico, temperaturas elevadas e tempestades, condições que podem afetar o desenvolvimento das plantas, provocar doenças, dificultar colheitas e transporte e aumentar perdas. O próprio Ministério da Agricultura e Pecuária destaca esses riscos em documento elaborado pela Embrapa para a safra 2026/2027, que contempla especificamente as cadeias de fruticultura e olericultura.
O Governo Federal também já apresentou medidas de prevenção. O MAPA recebeu da Embrapa 163 recomendações para a gestão de riscos climáticos, incluindo monitoramento das previsões meteorológicas, utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), diversificação da produção, planos de contingência, manejo do solo, escolha de cultivares, estruturas de proteção, drenagem e irrigação, além de seguro rural e outros mecanismos de transferência de risco.
O histórico recente mostra por que o setor deve permanecer atento. Como exemplo, durante o El Niño de 2023/2024, a Conab registrou que as Ceasas da Região Sul tiveram redução de 4,94% no volume comercializado e de 1% no valor movimentado em 2023, em comparação com o ano anterior. Segundo a Companhia, o resultado esteve associado, entre outros fatores, ao excesso de chuvas provocado pelos efeitos do fenômeno, que prejudicou a produção de hortigranjeiros na região.
Os efeitos, porém, não são iguais para todos os produtos. Dependendo da cultura e da região produtora, o clima pode reduzir a oferta e pressionar os preços ou, em determinadas situações, acelerar a produção e aumentar a disponibilidade. Por isso, não é possível afirmar antecipadamente que haverá aumento generalizado dos preços.
Na CEASA/MS, o acompanhamento das entradas, da qualidade dos produtos e das cotações será importante para identificar possíveis reflexos das condições climáticas sobre o abastecimento. Como a Central recebe hortifrutigranjeiros de diversas regiões produtoras do país, alterações climáticas em outros estados também podem impactar a oferta e os preços praticados no mercado sul-mato-grossense.
Para o diretor-presidente da CEASA/MS, Daniel Mamédio do Nascimento, o momento exige prevenção, planejamento e acompanhamento técnico.
“É fundamental trabalhar com prevenção e monitoramento, utilizando o conhecimento técnico dos órgãos responsáveis para acompanhar as possíveis alterações climáticas e seus impactos. O zoneamento agrícola de risco climático e a elaboração de planos de contingência são ferramentas importantes para esse planejamento. A Semadesc e a Agraer possuem capacidade técnica para contribuir nesse processo, e a CEASA/MS também precisa estar atenta, porque somos impactados pela produção de diferentes regiões do Brasil e até de outros países. Por isso, o monitoramento é fundamental para nos anteciparmos a possíveis impactos no abastecimento”, destaca Daniel Mamédio.











