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sexta-feira, 12 de julho, 2024
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Cartão Vermelho: Balanço 2023 da FFMS está ‘escondido’ por Cezário ante ter R$ 6,5 mi do Governo em sete anos

O presidente da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul), Francisco Cezário de Oliveira, ontem (21), preso na Operação Cartão Vermelho, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), tem mais uma acusação de que “escondeu” o balanço de 2023 da Federação, ante que parte do orçamento é proveniente do poder público. Apenas nos últimos sete anos, o Governo do Estado repassou R$ 6,5 milhões à FFMS, conforme o Portal da Transparência.

O Enfoque MS noticiou os acontecimentos, veja matérias abaixo, na manhã desta terça-feira (21), ante a “Cartão Vermelho”, que vem ressaltada nesta quarta-feira (22), pelo jornalista Edivaldo Bitencourt, do Blog ‘O Jacaré’, com a novidade da falta de balanço do ano passado. Ele lembra que só neste ano, para o Campeonato Estadual, por meio do Fundo de Investimentos Esportivos, a administração estadual repassou R$ 1,2 milhão à entidade comandada a quase 30 anos, desde 1996, por Cezário.

Até 2022, a Federação de Futebol divulgava o balanço financeiro, conforme reportagem de O Jacaré. Naquele ano, a entidade arrecadou R$ 3,960 milhões, sendo R$ 1,988 milhão (50%) proveniente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e R$ 1,241 milhão (31,33%) da Fundesporte (Fundação de Desporto de Mato Grosso do Sul).

Apesar do investimento, a entidade máxima do futebol sul-mato-grossense fechou 2022 com déficit de R$ 492,1 mil. Coincidência ou não, após os números serem expostos ao público, a Federação de Futebol não divulgou o montante arrecado nem a despesa do ano passado.

Total sem total

O jornalista do ‘O Jacaré’ aponta que em um balanço medíocre, os auditores da Aupercon – Auditoria, Perícia e Consultoria MS se limitaram a informar que houve redução de 55% no prejuízo, de R$ 492,1 mil, em 2022, para R$ 218,5 mil no ano passado. No entanto, não houve nenhuma informação sobre o total de receitas nem despesas da FFMS.

O orçamento da federação vinha crescendo desde 2020, conforme os números disponíveis no site da CBF. Em três anos, a receita teve aumento de 53%, passando de R$ 2,5 milhões em 2020 para R$ 3,9 milhões em 2022.

O ‘O Jacaré’ verificou que o valor repassado pelo Governo do Estado teve correção de 74% entre 2020 e 2023, passando de R$ 775,7 mil para R$ 1,353 milhão. Em relação a 2022 (com repasse de R$ 1,2 milhão), houve aumento de 10%. Isso significa que o orçamento da federação superou R$ 4 milhões no ano passado.

Entre 2018 e este ano, o Governo do Estado repassou R$ 6,580 milhões para a Federação de Futebol. O dinheiro era usado para pagar despesas com as equipes em restaurantes e hotéis. De acordo com o Gaeco, houve desvio de dinheiro neste esquema também.

Valores apurados pelo MPE

No total, conforme os promotores Gaeco do MPE (Ministério Público de MS), a suposta organização criminosa comandada por Francisco Cezario, teria desviado R$ 6 milhões dos cofres da federação entre 2018 e 2023.

Parte da fortuna foi drenada por meio de saques de R$ 5 mil. Para ser ter ideia da ousadia e mansidão do grupo, foram 1,2 mil saques no período investigado. O montante supera R$ 3 milhões.

Com base no valor repassado em 2022, a CBF repassou R$ 168 mil por mês à Federação.

Realidade do futebol de MS

Com a prisão de Cezário e seus sobrinhos, o Gaeco dá um passo importante para abrir o caixa preta da Federação de Futebol e pode expor os motivos da decadência do futebol de Mato Grosso do Sul.

Enquanto isto, o estado vizinho Mato Grosso, começa a despontar com um time na primeira divisão, ante também não ter tradição no futebol nacional, onde até que MS já teve auge no futebol brasileiro, indo até disputar título, no longínquo anos de 1970.

E, MS não consegue passar da primeira fase da série D e ostenta a vergonhosa 3ª colocação de pior futebol do País.

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