Caso Master pode impulsionar candidatura de nome pouco conhecido nas eleições de 2026

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Candidato anticorrupção e antissistema pode crescer com casos envolvendo alto escalão político (Foto montagem: Ricardo Stuckert/PR; Reprodução/Missão; Marcos Oliveira/Agência Senado)

Cientistas políticos apontam possível rearranjo do eleitorado e desgaste de forças tradicionais

Um escândalo envolvendo o sistema financeiro e desdobramentos políticos recentes pode acabar beneficiando um nome ainda pouco conhecido do eleitorado nacional. Essa é a avaliação de cientistas políticos ao analisarem os possíveis impactos do caso Master no cenário das eleições de 2026.

Segundo especialistas, nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o senador Flávio Bolsonaro devem ser os principais beneficiados ou prejudicados diretamente. O destaque, na avaliação de analistas, seria o crescimento de candidaturas consideradas “disruptivas”, como a de Renan Santos, do partido Missão, que hoje aparece com cerca de 2% nas pesquisas de intenção de voto.

Para o cientista político Bruno Soller, do instituto Real Time Big Data, o caso Master tem provocado um rearranjo no eleitorado que já havia passado por transformações após a Operação Lava Jato. “Esse eleitor teve seu ápice durante a operação, mas depois, com a turbulência social e econômica, ele se perdeu”, afirmou.

Soller avalia que investigações com potencial de impacto político, como a envolvendo o banco Master, podem reativar um eleitor em busca de novas referências no campo político.

Ele lembra que, em 2018, o enfraquecimento de forças tradicionais, como o Partido da Social Democracia Brasileira, após o envolvimento de lideranças na Lava Jato, abriu espaço para a ascensão de novas lideranças, como o então candidato Jair Bolsonaro. “Isso fez com que o eleitorado se reordenasse e encontrasse no então candidato Jair Bolsonaro uma grande esperança”, disse.

Na avaliação do especialista, episódios recentes envolvendo nomes do governo e da oposição, como a investigação citada contra o senador Ciro Nogueira, podem gerar reflexos indiretos em diferentes campos políticos, incluindo o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nesse cenário, candidaturas com discurso anti-establishment tendem a ganhar espaço, ainda que de forma gradual. “Nas medições que a gente tem feito, percebemos um crescimento do Renan Santos, já que ele se apresenta como anti-PT, antibolsonarismo e antissistema. No entanto, ele ainda é muito desconhecido do grande público”, afirmou Soller.

Apesar do avanço pontual nas análises, especialistas ressaltam que o desempenho eleitoral de nomes fora do eixo político tradicional ainda depende de maior visibilidade e consolidação junto ao eleitorado.