Cesta básica sobe novamente em Campo Grande e continua entre as mais caras do Brasil

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(Foto: Divulgação/Procon Dourados)

Levantamento do Dieese aponta alta de 0,58% em junho; trabalhador precisa comprometer 56,43% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos

O custo da cesta básica voltou a pesar no bolso dos moradores de Campo Grande. Em junho, o conjunto dos alimentos essenciais ficou 0,58% mais caro em relação ao mês anterior e passou a custar R$ 846,06, colocando a capital sul-mato-grossense entre as seis cidades com a cesta básica mais cara do país, conforme levantamento divulgado nesta quarta-feira (8) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O aumento registrado em junho reforça a tendência de alta observada ao longo do ano. Segundo o levantamento, a cesta acumula elevação de 9,04% em 2026 e avanço de 6,69% nos últimos 12 meses.

Com esse resultado, Campo Grande ocupa a sexta posição no ranking nacional de custo da cesta básica entre as 27 capitais pesquisadas, ficando atrás apenas de São Paulo, Cuiabá, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre.

Entre os 13 produtos que compõem a cesta, cinco apresentaram aumento de preço em junho. A batata liderou as altas, com avanço de 10,88%, seguida pela banana (3,27%), feijão-carioca (2,71%), tomate (2,21%) e pão francês (1,34%).

Por outro lado, oito itens registraram queda nos preços. Os principais recuos foram observados no leite integral (-3,17%), óleo de soja (-3,01%), arroz agulhinha (-2,20%), carne bovina de primeira (-1,46%), farinha de trigo (-1,15%), açúcar cristal (-0,97%), manteiga (-0,78%) e café em pó (-0,39%).

Feijão lidera alta no acumulado de um ano

Na comparação com junho de 2025, o feijão-carioca foi o alimento que mais encareceu em Campo Grande, acumulando alta de 48,84%. Também tiveram aumentos expressivos a batata (45,28%) e o tomate (24,66%).

No sentido oposto, os maiores recuos em 12 meses foram registrados no açúcar cristal (-24,88%), arroz agulhinha (-18,20%) e café em pó (-15,30%).

Mais da metade do salário vai para alimentação

O estudo também revela o impacto da alta dos alimentos sobre o orçamento das famílias. Para adquirir a cesta básica em junho, um trabalhador remunerado com o salário mínimo precisou destinar o equivalente a 114 horas e 50 minutos de trabalho.

Na prática, a compra dos produtos básicos consumiu 56,43% do salário mínimo líquido, já descontada a contribuição previdenciária.

Cenário nacional

Em todo o país, a cesta básica ficou mais cara em 17 das 27 capitais pesquisadas pelo Dieese. A maior alta mensal foi registrada em Boa Vista (3,28%), seguida por Palmas (3,01%), Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%).

São Paulo manteve a cesta mais cara do Brasil, com custo médio de R$ 965,47. Na sequência aparecem Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94), Florianópolis (R$ 918,42), Porto Alegre (R$ 889,58) e Campo Grande, com R$ 846,06.

Com base no custo da cesta mais cara do país, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para atender às despesas de uma família deveria ser de R$ 8.110,92, valor cerca de cinco vezes superior ao salário mínimo vigente.