O brasileiro Gerson Palermo, de 68 anos, apontado como uma das maiores lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), chegou na tarde desta quarta-feira (27) a Campo Grande, em operação de transferência internacional marcada por rigorosas medidas de segurança e uso de aeronave da Polícia Federal. Condenado a um total de 126 anos de prisão por crimes de alta periculosidade, ele foi capturado um dia antes, terça-feira (26), na Bolívia, onde vivia foragido desde 2020.
Da captura à transferência
A prisão ocorreu na região de Cotoca, município vizinho a Santa Cruz de la Sierra, onde Palermo se apresentava publicamente como um empresário do ramo do agronegócio. A ação foi resultado de trabalho integrado entre a Polícia Federal brasileira e a Força Especial de Combate ao Narcotráfico (Felcn) da Bolívia.
Para a transferência, foi montado um esquema especial: ele foi escoltado por forças bolivianas até o Aeroporto Internacional Viru Viru. No local, equipes da PF assumiram a condução, embarcando o condenado em avião da instituição com destino diretamente ao Mato Grosso do Sul. Ele saiu algemado da viatura, sob vigilância conjunta das duas nações, em uma operação planejada para evitar qualquer tentativa de resgate ou interferência.
Logo após o pouso em solo sul-mato-grossense, ele foi levado diretamente à Superintendência Regional da Polícia Federal, onde passará por procedimentos cadastrais e administrativos. Em seguida, será encaminhado ao Presídio Federal de Campo Grande, unidade de segurança máxima. A definição sobre uma possível transferência para outro estado ficará a cargo da Justiça Federal.
Histórico criminoso
Conhecido também como “Pigmeu”, Gerson Palermo acumula uma trajetória criminal que começou nos anos 1990 e envolve tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, sequestro e homicídios. Sua condenação mais famosa remete ao ano de 2000, quando ele, que também é piloto, liderou o sequestro de um avião da Vasp. A quadrilha desviou a rota da aeronave, obrigou o pouso em Porecatu (PR) e roubou nove malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões. Por esse episódio, recebeu pena de mais de 66 anos.
Em 2017, a Operação All In, da PF, revelou que ele comandava uma estrutura que trazia cocaína da Bolívia em aviões até Corumbá, de onde a droga era distribuída pelo Brasil. Ele agia legalmente como vendedor de aeronaves e veículos de luxo, mas usava a fachada para lavar dinheiro e ocultar patrimônio ilícito — resultando em mais uma condenação, de 59 anos.
Fuga após prisão domiciliar

Até 2020, ele cumpria pena justamente no Presídio Federal de Campo Grande. Naquele ano, obteve autorização de prisão domiciliar por suposto grupo de risco à Covid-19, em decisão polêmica tomada em menos de 40 minutos durante plantão judicial. Menos de cinco horas após ser liberado, já havia rompido a tornozeleira eletrônica e fugido com destino à Bolívia, onde mantinha propriedades. O caso levou à aposentadoria compulsória do desembargador responsável pela concessão irregular.
Mesmo foragido, seu nome continuou aparecendo em investigações: ele é apontado como mandante da morte de um dos maiores traficantes da fronteira em 2016 e, em 2024, foi denunciado pelo sequestro da própria filha, em Campo Grande. Agora, com a transferência concluída e sob rigorosa segurança, ele volta ao sistema prisional federal para cumprir as penas que somam quase 126 anos.





















