Conflito entre Flávio e Michelle Bolsonaro amplia tensão no PL às vésperas das eleições

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(Foto: Reprodução/Portalsrn)

Especialistas apontam que desgaste pode afetar estratégia do partido junto às mulheres

O embate público entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ganhou novos capítulos e passou a ser apontado por analistas políticos como um fator que pode influenciar a estratégia eleitoral do Partido Liberal (PL) para as eleições presidenciais de 2026, especialmente na tentativa de ampliar o apoio entre as mulheres.

A tensão entre os dois se intensificou após Michelle anunciar sua saída da presidência do PL Mulher, em meio a divergências sobre sua participação nas decisões internas da legenda.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais na última semana, a ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio Bolsonaro durante discussões relacionadas à condução do partido. Segundo ela, as críticas recebidas foram interpretadas como uma “apunhalada nas costas”, o que a levou a se afastar das atividades da sigla.

Michelle, de 44 anos, é considerada uma das principais lideranças do PL junto ao eleitorado feminino conservador e evangélico. Nos últimos anos, percorreu diversos estados participando de eventos e fortalecendo a presença do partido entre mulheres ligadas a igrejas e movimentos conservadores.

Para especialistas, o afastamento da ex-primeira-dama representa a perda de um importante ativo político justamente em um segmento no qual Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para ampliar sua popularidade.

Levantamento do instituto BTG Pactual/Nexus aponta que, em um cenário de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente entre as mulheres, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta desempenho superior entre os homens. No cenário geral, a pesquisa também indica vantagem de Lula.

Na avaliação do cientista político Rafael Favetti, disputas eleitorais equilibradas tornam qualquer fator político relevante para o resultado final da eleição, inclusive conflitos internos que possam afetar a percepção do eleitorado.

Disputa familiar ganha dimensão política

A relação entre Michelle Bolsonaro e os filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro já vinha sendo apontada como delicada nos bastidores, mas o desgaste aumentou após o lançamento da pré-campanha presidencial de Flávio, no fim de 2025.

Enquanto o senador busca construir uma imagem considerada mais moderada em relação ao pai, Michelle ampliou sua influência política após Jair Bolsonaro passar a cumprir prisão domiciliar, tornando-se uma das principais interlocutoras do ex-presidente.

Além de ser cotada para disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle também aparece em pesquisas como um dos nomes lembrados para a disputa presidencial.

Mesmo diante das divergências, Flávio Bolsonaro afirmou recentemente que espera uma reaproximação. Durante encontro com lideranças femininas do PL em Brasília, o senador declarou que respeita Michelle e acredita na superação do momento de tensão. A ex-primeira-dama, embora convidada, não participou do evento.

Pesquisas medem impacto do conflito

Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta semana mostra que parte significativa dos entrevistados acredita que a exposição pública do conflito entre Flávio e Michelle prejudica a candidatura do senador.

Segundo o levantamento, 37,8% avaliam que o episódio enfraquece muito a pré-candidatura, enquanto 26,3% entendem que o desgaste é moderado. Outros 22,4% afirmam que o conflito não produz impacto eleitoral. Já 7,1% consideram que a situação fortalece muito a candidatura, e 2,1% acreditam que fortalece um pouco.

Nos bastidores do PL, o episódio amplia as discussões sobre a estratégia eleitoral da legenda para 2026 e reforça a importância do eleitorado feminino, considerado decisivo em uma eventual disputa presidencial acirrada.