Copom decide nesta quarta-feira se mantém Selic em 13,75% após eleições

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(Foto: EBC)

Mercado financeiro espera pausa no ciclo de redução dos juros diante de incertezas fiscais, pressão inflacionária e cenário internacional. Decisão do Banco Central será divulgada nesta noite.

A primeira decisão sobre os juros no Brasil após as eleições presidenciais será anunciada nesta quarta-feira (4), em meio a um cenário de incertezas econômicas e preocupação com a inflação. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para definir o novo patamar da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, e a expectativa predominante é de manutenção dos juros.

A reunião ocorre em um momento de atenção redobrada do mercado financeiro às perspectivas para a economia brasileira. Entre os fatores que influenciam as projeções estão as dúvidas sobre a condução da política fiscal do próximo período, o comportamento dos juros internacionais e as mudanças nas expectativas dos investidores depois do resultado eleitoral.

O comunicado com a decisão será divulgado após o encerramento da reunião, previsto para esta quarta-feira. O calendário oficial do Banco Central estabelece que os anúncios do Copom sejam publicados a partir das 18h30.

A taxa está em 13,75% desde setembro, quando o Banco Central promoveu uma redução de 0,25 ponto percentual. Antes disso, a Selic havia permanecido em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.

As projeções do mercado, no entanto, não são totalmente uniformes. O primeiro boletim Focus divulgado após as eleições, na terça-feira (3), mostrou que a estimativa para a Selic no encerramento de 2026 subiu de 13,25% para 13,5%. Isso indica que os analistas ainda consideram possível uma redução de 0,25 ponto percentual até dezembro, embora a perspectiva de manutenção tenha ganhado força para a reunião desta quarta-feira.

Eleições e cenário fiscal entram no radar do Banco Central

O resultado das eleições presidenciais provocou mudanças nas expectativas dos investidores em relação à economia brasileira. A preocupação está concentrada principalmente na condução das contas públicas, na trajetória dos gastos do governo e nos possíveis reflexos dessas medidas sobre a inflação.

No Boletim Focus, pesquisa semanal que reúne as projeções de instituições financeiras, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, passou de 5,19% para 5,22% em 2026.

Há quatro semanas, a previsão era de 5,01%. Para o dólar, a expectativa de cotação no encerramento do ano também subiu, passando de R$ 5,05 para R$ 5,34.

O mercado também reduziu a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,8% para 1,76%.

No cenário internacional, a valorização do petróleo e as incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio também estão entre os fatores de preocupação. Na última decisão, em setembro, o próprio Copom destacou a instabilidade externa e os riscos associados aos preços das commodities como elementos que exigem cautela na condução da política monetária.

Outro assunto acompanhado pelos economistas é a proposta de encerramento da escala de trabalho 6×1. Representantes de setores empresariais argumentam que uma eventual redução da jornada poderá elevar os custos das empresas, especialmente no comércio e nos serviços, com possibilidade de repasse aos preços.

Entretanto, estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentam avaliações diferentes e apontam que os efeitos sobre a inflação e a atividade econômica podem ser limitados.

Há economistas que defendem a redução dos juros

Apesar da expectativa de manutenção da Selic, existem economistas que consideram possível dar continuidade ao ciclo de cortes.

Um dos argumentos favoráveis à redução é o custo elevado dos juros para o governo, que aumenta as despesas com o pagamento da dívida pública e limita a capacidade de investimento.

O economista Benito Salomão, por exemplo, defende que o Banco Central ainda teria espaço para diminuir a taxa básica.

“Não vejo nenhum motivo para que essa taxa de juros não seja cortada nessa reunião, a exemplo do que o próprio Banco Central já tinha se comprometido a fazer. Temos uma inflação que, embora distante do centro meta, é uma inflação estável em 12 meses”, afirma.

A decisão, porém, cabe aos integrantes do Copom, que avaliam o comportamento dos preços, as expectativas de inflação, a atividade econômica e os riscos internos e externos antes de definir os juros.

O que é a Selic e como ela afeta o bolso?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e funciona como o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.

Quando a taxa aumenta, empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito tendem a ficar mais caros. Com isso, famílias e empresas podem reduzir o consumo e os investimentos, diminuindo a demanda por produtos e serviços e ajudando a conter a alta dos preços.

Por outro lado, quando os juros caem, o crédito tende a ficar mais barato, o que pode estimular compras, investimentos e a atividade econômica.

A Selic também influencia a rentabilidade de aplicações financeiras de renda fixa, como títulos públicos e investimentos atrelados aos juros básicos.

A decisão desta quarta-feira será acompanhada de perto pelo mercado financeiro, principalmente pelos sinais que o Banco Central dará sobre os próximos passos da política monetária e a possibilidade de retomada dos cortes nos juros nos próximos meses.