Apesar de ser uma condição antiga, foi apenas em 1993 que o autismo passou a integrar à Classificação Internacional de Doenças da OMS (Organização Mundial de Saúde). E, em 2013, o autismo passou a ser chamado de Transtorno do Espectro Autista, justamente devido à comprovação de que existem vários tipos de autismo A chegada do coronavírus lançou um desafio extra, aos pais e responsáveis que precisam lidar com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Como agir e manter uma rotina de cuidados específicos dentro de casa? Devido à medida restritiva de isolamento social, grande parte das famílias se encontram sem alternativas para complementar a rotina dos pequenos, que antes tinham uma agenda cheia com atividades escolares e terapias presenciais.

Esta falta de rotina pode refletir em instabilidade emocional e agressividade cada vez com mais frequência em crianças autistas. Quero ressaltar os principais exemplos de sinais que podem ser rastreados precocemente, e servir de alerta:

Dificuldade em sustentar contato visual enquanto é alimentado; Ausência de resposta clara ao ser chamado pelo nome (importante descartar hipótese de perda auditiva); Atraso no desenvolvimento da linguagem verbal e não verbal (não apontar, não responder a sorrisos, demorar para balbuciar e falar, ou regressão de linguagem); Desconforto com afagos e ao ser pego no colo; Aversão ou fixação a algumas texturas, incômodos com determinados sons e barulhos, comportamentos repetitivos e estereotipados (enfileirar brinquedos, rodopiar em torno de si mesmo, balançar o corpo).

A família precisa de muito apoio e orientação em todo o processo, pois não é fácil a busca por tratamentos e aceitação do diagnóstico. Há uma série de mudanças na dinâmica familiar, a fim de se re-organizar para comparecer às terapias propostas, além do cuidado da criança em casa, que pode ser bem desgastante (especialmente em situações de agitação e crises).

Outrossim ressalto os tipos de autismo mais comuns e suas principais características.

1- Síndrome de Asperger

Se a Síndrome não for diagnosticada na infância, o adulto com Asperger poderá ter mais chances de desenvolver quadros depressivos e de ansiedade.

2- Transtorno Invasivo do Desenvolvimento

Nesse caso, os sintomas são muito variáveis. Porém, de uma maneira geral o paciente apresentará:

·quantidade menor de comportamentos repetitivos;

·dificuldades com a interação social;

3- Transtorno Autista

Esse é o tipo “clássico” de autismo e que costuma ser diagnosticado de forma precoce, em geral antes dos 3 anos. Os principais sinais que indicam a condição são:

·falta de contato com os olhos;

·comportamentos repetitivos como bater ou balançar as mãos; edificuldades em fazer pedidos usando a linguagem;

4- Transtorno Desintegrativo da Infância

Em geral, a criança apresenta um período normal de desenvolvimento, porém a partir dos 2 aos 4 anos de idade, ela passa a perder as habilidades intelectuais, linguísticas e sociais.

Em Corumbá, projeto de lei do vereador André Luiz Pereira Fernandes cria a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), com vistas a garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social. Reitera que nos casos em que a pessoa com transtorno do espectro autista seja imigrante detentor de visto temporário ou de autorização de residência, residente fronteiriço ou solicitante de refúgio, deverá ser apresentada a Cédula de Identidade de Estrangeiro (CIE), a Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM) ou o Documento Provisório de Registro Nacional Migratório (DPRNM), com validade em todo o território nacional A Ciptea propõe a validade de 5 (cinco) anos, devendo ser mantidos atualizados os dados cadastrais do identificado, e deverá ser revalidada com o mesmo número, de modo a permitir a contagem das pessoas com transtorno do espectro autista em toda a Cidade Branca. Para todos essas situações, procurar ajuda é a melhor solução.

Escrito por: Rosildo Barcellos – articulista

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