Delegado de Ponta Porã é afastado após Gaeco prender policiais por cobrar propina

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(Foto: divulgação Gaeco)

As investigações levaram quase um ano, mas operação nesta segunda-feira (25), onde o Gaeco aponta que PCs cobravam propina por liberar veículos e desviavam drogas apreendidas provocou mais um resultado e uma ‘baixa’ no escalão da PC-MS (Polícia Civil de MS). Nesta terça-feira (26), o delegado de polícia da 2º delegacia de Ponta Porã, Patrick Linares, foi afastado do cargo. A decisão governamental foi publicada no DOE (Diário Oficial do Estado) de hoje, um dia após a ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que em Operação Codicia do Gaeco mira policiais da fronteira de MS na manhã de hoje .

O afastamento do delegado acontece um dia após a Operação Codicia, que prendeu outros policiais do departamento por cobrança de propinas. O delegado foi afastado compulsoriamente de suas funções, pelo prazo em que perdurar a medida imposta pela justiça, determinando o recolhimento das armas, carteira funcional e demais pertences do patrimônio público destinados ao referido policial. Linares também teve a suspensão de suas senhas e logins de acesso aos bancos de dados da instituição policial, suspensão de férias e avaliação para fins de promoção, caso tais medidas ainda não tenham sido adotadas.

A suspensão foi assassinada pelo delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Márcio Rogério Faria Custódio, ante investigações que apontam que o grupo chegou a cobrar R$ 20 mil de um casal, que teve o caminhão furtado no Rio de Janeiro, para a restituição após a recuperação do veículo pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Conforme dados divulgados pelo Gaeco, as investigações do grupo começaram em maio de 2021, onde por exemplo, em depoimento, as vítimas dos policiais contaram que, no dia 5 de abril de 2021, o caminhão Scania em que estava acoplada a carreta foi roubado de Queimados, no Rio de Janeiro. Já no dia 6 de abril, equipes da PRF (Polícia Rodoviária Federal)  em fiscalização em Ponta Porã encontraram e recuperaram o veículo entrando em contato com as vítimas para comunicar o fato. O casal, então, foi até Ponta Porã, e passou a ser vitima de novos crimes, agora por parte da própria “polícia”.

Relato do caminho da extorsão

À investigação, o casal disse que no trajeto, pararam em posto policial no estado do Paraná e foram orientados a procurarem em Ponta Porã a policial aposentada, alvo da  operação, que iria ajudar na restituição do caminhão. “As vítimas, então, entraram em contato com a policial pelo WhatsApp, e ela indicou que fossem até a 2ª Delegacia de polícia e procurassem o escrivão também alvo da operação. Já na delegacia, no dia 8 de abril, o casal foi recepcionado por outro policial e, posteriormente, o segundo alvo da operação passou a atendê-los, como também o investigador de polícia aposentado”, descreve relatório do Ministério Público.

Segundo as vítimas, o escrivão na presença do investigador aposentado comunicou que a carreta seria liberada apenas por meio de um ‘agrado’ para o delegado. Com isso, o casal informou que tinha apenas R$ 300 disponíveis, já que teria gasto com a viagem. À declaração, o escrivão reagiu com desdém e disse que com tal valor não levariam nem as chaves do caminhão.

Então, o escrivão saiu da sala e disse que iria conversar com o delegado. Ao retornar, afirmou que o veículo somente seria restituído mediante o pagamento de R$ 20 mil. Assustadas, as vítimas contaram que tinham naquele momento R$ 4 mil, que seriam usados para as despesas da viagem e para a aquisição de alguns itens do trator/carreta, necessários para o deslocamento.

O escrivão achou a quantia baixa, e com isso, a vítima informou que somente lhe restava na conta R$ 1 mil, quando foi orientada a fazer um Pix do montante na conta dele e deixar o restante do dinheiro em cima da mesa, o que foi atendido.

Segundo as vítimas, enquanto aguardavam o encaminhamento dos documentos necessários à liberação do veículo, passaram a observar que outros servidores desfilavam na delegacia conduzindo caixas de cerveja, carnes e utensílios para realização de churrasco, para dentro das repartições levando-as a crer que haviam utilizado parte do dinheiro deixado sobre a mesa do escrivão para adquirirem aqueles produtos e que ali realizariam uma festa.