Eleições nos EUA colocam força de Trump e controle do Congresso à prova

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Urnas em centro de votação na Carolina do Sul (Foto: Undefined)

Americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher deputados, senadores e governadores em uma votação que pode mudar o equilíbrio político do país

Os eleitores dos Estados Unidos decidem nesta terça-feira (3) quem terá força para comandar o Congresso nos próximos dois anos e influenciar os rumos do governo de Donald Trump. Conhecidas como midterms, as eleições de meio de mandato renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, parte do Senado e também definem os governadores de 36 estados.

A votação é considerada um teste político para Trump, que enfrenta críticas pelo custo de vida, pela condução da economia e pelas medidas de imigração. Uma eventual vitória dos democratas em uma das Casas do Congresso pode dificultar a aprovação de projetos do presidente e ampliar o poder de fiscalização da oposição sobre a administração republicana.

Disputa pelo Congresso

Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas do Legislativo. Na Câmara, a maioria é apertada, enquanto no Senado o partido também tem vantagem, com 53 das 100 cadeiras.

Os democratas tentam conquistar votos suficientes para assumir o comando de uma ou das duas Casas. As projeções divulgadas antes da votação apontam maior possibilidade de vitória da oposição na Câmara. No Senado, a disputa é mais equilibrada e o resultado é considerado incerto.

Se os democratas conquistarem a maioria, poderão barrar projetos, dificultar a aprovação de indicações para cargos importantes e abrir investigações sobre ações do governo. Para Trump, manter o controle republicano é fundamental para avançar com sua agenda na segunda metade do mandato.

Mais de 57 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente até a véspera da eleição, segundo dados da Universidade da Flórida. O número supera os aproximadamente 45,9 milhões registrados nessa modalidade nas eleições legislativas de 2022 e representa um recorde para uma disputa de meio de mandato.

Eleição também define governadores

Além das vagas no Congresso, os americanos vão escolher os governadores de 36 dos 50 estados. Atualmente, os republicanos comandam 26 governos estaduais, enquanto os democratas estão à frente de 24.

Entre as disputas acompanhadas de perto estão as de estados como Geórgia, Michigan, Ohio, Nevada, Wisconsin, Arizona e Iowa. O resultado pode alterar a distribuição de forças políticas nos governos estaduais e influenciar debates sobre políticas públicas e regras eleitorais.

Os democratas buscam conquistar mais governos e alcançar maioria nacional entre os governadores pela primeira vez em duas décadas. Já os republicanos tentam preservar sua vantagem e evitar novas perdas em estados considerados competitivos.

Economia e imigração dominam campanha

O custo de vida aparece entre as principais preocupações dos eleitores. Preços de alimentos, combustíveis, moradia e serviços de saúde estão no centro das discussões, em um cenário de insatisfação com a situação econômica.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em outubro apontou que metade dos eleitores registrados considerava o custo de vida o fator mais importante na escolha dos candidatos. A alta dos combustíveis também ganhou destaque em meio aos impactos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã sobre o mercado internacional de energia.

A imigração é outro tema que divide republicanos e democratas. As operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), responsável pela fiscalização migratória, e as medidas adotadas pelo governo Trump provocaram protestos e críticas de opositores.

Enquanto os republicanos defendem o endurecimento do controle das fronteiras e apresentam a política migratória como uma das principais realizações do governo, democratas questionam os métodos utilizados nas operações e cobram maior fiscalização sobre os agentes federais.

Popularidade de Trump pesa na votação

O próprio presidente se tornou um dos principais personagens da campanha. Trump participou de comícios e eventos em diferentes estados e pediu aos eleitores que tratassem a disputa como uma avaliação direta de seu governo.

A popularidade do republicano, porém, tem enfrentado dificuldades. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em outubro apontou aprovação de 31% dos americanos ao desempenho do presidente, o menor índice registrado nos dois mandatos dele. O levantamento também mostrou vantagem dos democratas na preferência dos eleitores para as eleições legislativas.

Historicamente, o partido do presidente costuma enfrentar dificuldades nas eleições de meio de mandato. A votação, realizada dois anos depois da eleição presidencial, funciona como um termômetro da avaliação popular sobre a administração federal.

Resultado pode influenciar eleição presidencial de 2028

Embora não escolham o presidente, as eleições desta terça-feira também podem influenciar a disputa presidencial de 2028. O desempenho dos partidos será observado como um indicativo de força política e poderá ajudar a projetar possíveis candidatos.

No Partido Republicano, nomes como o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio são apontados como possíveis protagonistas de uma futura disputa pela indicação presidencial.

Entre os democratas, uma vitória expressiva pode fortalecer lideranças e abrir espaço para novos nomes na corrida eleitoral. A conquista da Câmara, por exemplo, também poderá colocar o deputado Hakeem Jeffries em posição de assumir a presidência da Casa, atualmente ocupada pelo republicano Mike Johnson.

O resultado das urnas, portanto, vai além da renovação de cadeiras no Congresso: pode definir o espaço de atuação de Trump nos próximos dois anos e influenciar a preparação dos partidos para a eleição presidencial de 2028.