Eleitores de MS usam de papelão a guarda-chuva para driblar calor de 32°C e cadastrar biometria

346

Publicado em 16/03/2018 13h15

Eleitores de MS usam de papelão a guarda-chuva para driblar calor de 32°C e cadastrar biometria

Quem deixou para o último dia útil teve de enfrentar fila de ao menos três quarteirões e temperatura de 32°C, chegando a sensação térmica de 36,1°C

G1/MS

Milhares de eleitores, em Campo Grande, tiveram que usar do improviso para dar conta do calorão e cadastrar a biometria. Quem deixou para o último dia útil, nesta sexta-feira (16), teve de enfrentar fila de ao menos 3 quarteirões e temperatura de 32°C, chegando a sensação térmica de 36,1°C, segundo o meteorologista Natálio Abraão. O jeito de muita gente foi levar guarda-chuva, toalha e até papelão serviu para se proteger do sol.

“Eu não aguentei e peguei de uma caçamba este papelão. O calor está muito forte. Cheguei por volta das 8h e não tive como vir antes por conta do trabalho. Além disso, fiquei 3 semanas doente. Atualmente, nem vale a pena votar. Eles estão lá no bem bom e a gente aqui fora, porém não tenho outra opção”, afirmou ao G1 a costureira Renata Pereira Mendes, de 35 anos.

Outro aliado para as fortes temperaturas foi o guarda-chuva. “Eu já esperava uma fila tão grande e cheguei às 7h50. Infelizmente, por conta dos políticos, não vale a pena. Mas, eu tinha que cumprir a minha obrigação de cidadão e o brasileiro sabemos que sempre deixa tudo para última hora”, comentou a cerimonialista Renata Amorim, de 39 anos.

A vendedora Adriana Vargas, de 30 anos, levou guarda-chuva e também a companhia da sobrinha. “Eu tive muitos compromissos, sempre ocupada. Só agora deu tempo de vir. E eu chamei ela para vir acompanhada e ter com quem conversar. Ela foi parceira e topou ficar aqui neste sol comigo”, disse.

Tereré e água gelada

No caso do lavador automotivo Fernando Aparecido Gonçalves, de 19 anos, o tereré foi o aliado. “Não durou muito tempo e acabou a água. Mas, com a correria, não teve outro jeito. Outras eleitoras que não esqueceram de levar um líquido foram Joselaine Pereira Portilho, de 33 anos e Erotildes Barbosa de Oliveira, de 37 anos.

“Eu acabei de sair de um plantão. Só tive tempo de passar em casa, pegar uma água e vir para cá. Daqui a pouquinho, já estou a caminho de outro plantão. Imaginei muita gente, mas, não sabia que estaria tão cheio. E eu ainda tenho uma noite inteirinha para trabalhar. Acho realmente que muita gente deixou para última hora porque está cansado de roubos. É corrupção para todo lado”, alegou a técnica de enfermagem Erotildes.

A empresária Joselaine compartilha do mesmo pensamento. “Eu só vim aqui poque senão teria minhas contas bloqueadas. Nós pagamentos muitos impostos, sendo que no meu caso seria suficiente para contratar ao menos 3 funcionários a mais. É um desânimo ver uma fila desta e, ao mesmo tempo, ver buracos nas ruas, problemas em hospitais”, opinou.

A garrafa térmica também estava nas mãos da estudante Ana Paula Menezes, de 34 anos e o pintor Tomaz Lopes de Souza, de 47 anos. “Se for pra falar a verdade, meu pensamento é que eu estava sem tempo para votar em ladrão. Eu tenho pressão alta, diabetes e a água é para amenizar isto tudo. Os organizadores também deveriam ter escolhido mais pontos, inclusive em bairros”, disse. “Mais pontos realmente ficou faltando”, emendou Ana Paula.

A auxiliar de limpeza Andreia Cristina Souza dos Santos, de 42 anos, também falou sobre a escolha dos locais para cadastrar a biometria. “Nós ficamos nesta fila enorme enquanto temos diversos pontos que poderiam ser escolhidos nos bairros. Desta forma, seria bem mais fácil”, argumentou.

A dona de casa Aparecida Ribeiro, de 41 anos, aproveitou a companhia da vizinha Neide Oliveira, de 55 anos, para enfrentar a fila. Elas levaram cadeiras. “Ficar nesse sol quente para votar em políticos que não fazem nada ou muito pouco é revoltante. O brasileiro é que é desunido, pois se todo mundo se juntasse, não estaríamos aqui”, disse Aparecida. “E ainda falta falar sobre os buracos de Campo Grande, as escolas sem estrutura para os nossos filhos e netos. Tem muita revolta neste sol quente”, finalizou Neide.

Até o momento, de acordo com a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), já foram realizados 560.128 atendimentos, o que corresponde a 88,51% do total de eleitores, que atualmente é de 632.824.

Estudante e pintor levaram garrafa térmica para enfrentar 'fila da biometria' (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)