Em audiência, professor nega estupros e esquartejamento de Kauan

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Publicado em 30/01/2018 19h09

Em audiência, professor nega estupros e esquartejamento de Kauan

Da redação

O professor Deivid Almeida Lopes, o principal suspeito no episódio de estupro, esquartejamento e ocultação do corpo do menimo Kauan Andrade, de 9 anos, negou o cometimentos dos crime, em depoimento na tarde de hoje (30), na 7ª Vara Criminal de Campo Grande. Ele considerou como “boatos”, os fatos atribuídos a ele.

Deivid foi levado do Instituto Penal, onde está preso, para o Fórum de Campo Grande, onde os depoimentos foram tomado em sessão fechada à imprensa. Ao todo, foram ouvidas oito pessoas durante o dia, três arroladas pela acusação e cinco pela defesa, inclusive por videoconferência –caso de um adolescente de 16 anos que está em outra cidade.

De acordo com o advogado de defesa, Alessandro Farias Rospide, as acusações de estupro seriam fruto de boatos e conversas de bairro. Ele explica que dos quatro quatro adolescente que supostamente presenciaram a morte de Kauan, dois negaram e outros dois confirmaram que o menino foi esquartejado e teve o corpo ocultado. “O adolescente ouvido por videoconferência em Naviraí hoje manteve a versão do esquartejamento. Com isso são dois que negaram e dois que confirmaram essa história”, explica.

Farias ainda explicou que, diante das diferenças nos depoimentos, foi solicitado que as 10 pessoas apontadas como vítimas sejam novamente ouvidas, agora pelo setor psicossocial do Fórum. Com o pedido, o prazo para conclusão do processo será prorrogado. O defensor sustenta haver algo errado nas oitivas até aqui e, por isso, quer esclarecer as falas das testemunhas.

Alessandro Rospide teceu diversas críticas a condução das investigações da morte de Kauan na Polícia Civil e chegou a afirmar que os menores de idade foram coagidos por autoridades policiais para que confirmassem a versão de que a vítima teria sido esquartejada.

“Eles só tinham sido interrogados por autoridades e não por psicólogos, houve uma pressão fortíssima por parte das autoridades da Deaij (Delegacia Especial de Atendimento à Infância e Juventude).”, disse o advogado. Conforme a defesa, o pedido para que as entrevistas fossem refeitas aconteceu após a primeira audiência do caso.

O CASO

Kauan Andrade Soares dos Santos teria sido violentado, morto e esquartejado após sair de sua casa em 25 de junho do ano passado na região do Jardim Colorado. Ele teria ido à casa de Deivid levado por um adolescente.

Os relatos de adolescentes usados pela Polícia Civil para instruir as investigações versam sobre a presença de quatro adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, nos quais se aponta que Kauan foi violentado antes e depois de morrer, o professor foi acusado de incentivar a prática de necrofilia antes de o corpo da criança ser esquartejado. Os restos mortais teriam sido jogados no rio Anhanduí, porém, não foram encontrados até hoje.

Os garotos revelaram que também já foram estuprados pelo professor, recebendo valores entre R$ 5 e R$ 15 para praticarem sexo com o acusado.

O homem suspeito de ser pedófilo foi preso no dia 21 de julho, no começo da tarde, pouco antes do início das buscas pelo corpo do menino. De acordo com o delegado, o suspeito negou as acusações, mas com o depoimento do adolescente e os fatos já confirmados pela perícia, não há dúvidas de que a vítima era Kauan.

Professor negou todas as práticas criminosas a ele atribuídas. (Fotos: Saul Schramm)