Endividamento volta a crescer e atinge 72% das famílias em Campo Grande

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(Foto: PMCG)

Pesquisa mostra aumento nas contas em atraso e mais de 46 mil famílias sem condições de quitar dívidas

Mais de sete em cada dez famílias de Campo Grande estão endividadas. O avanço do uso do crédito, aliado ao aumento do custo de vida, fez o índice de endividamento voltar a crescer na Capital em abril deste ano, alcançando o maior patamar dos últimos meses e acendendo um alerta sobre o aumento da inadimplência.

Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, apontam que 72% das famílias campo-grandenses possuíam algum tipo de dívida em abril. O percentual supera os 70,1% registrados em março e também fica acima do índice observado no mesmo período do ano passado, quando o endividamento atingia 65,8%.

Em números absolutos, o total de famílias endividadas passou de 246,3 mil para 253 mil em apenas um mês.

O levantamento também mostra crescimento entre os consumidores com contas em atraso. Em março, o percentual era de 28%, enquanto em abril chegou a 29,5%, o equivalente a cerca de 103,6 mil famílias.

Já o grupo que afirma não ter condições de quitar as dívidas atrasadas atingiu 13,1% dos entrevistados, representando aproximadamente 46,1 mil famílias na Capital.

A economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira, explica que o cenário está diretamente ligado à maior dependência do crédito para manutenção do consumo das famílias.

“O crédito continua sendo uma ferramenta importante para manutenção do consumo, especialmente diante do aumento do custo de vida. O problema ocorre quando parte dessas famílias começa a enfrentar dificuldades para equilibrar orçamento e renda, elevando os índices de inadimplência”, avalia.

Entre os principais tipos de dívida, o cartão de crédito segue como o mais utilizado pelos consumidores, citado por 66,6% dos entrevistados. Em seguida aparecem os carnês, com 19,8%, crédito pessoal, com 12,8%, e financiamento de veículos, com 12,1%.

A pesquisa aponta ainda que 41% das famílias endividadas possuem contas em atraso. Dentro desse grupo, 44,5% afirmam que não conseguirão quitar os débitos no próximo mês.

O tempo médio de atraso das dívidas ficou em 66 dias. Além disso, quase metade dos consumidores inadimplentes, cerca de 47%, possui contas vencidas há mais de 90 dias.

Outro dado que chama atenção é o impacto das dívidas no orçamento doméstico. Em média, 29,4% da renda familiar está comprometida com pagamentos de débitos. Para 14,2% dos entrevistados, mais da metade da renda mensal já é destinada às dívidas.

Segundo Regiane Dedé, o aumento do endividamento exige maior atenção ao planejamento financeiro para evitar agravamento da situação econômica das famílias.

“O aumento do endividamento não é necessariamente negativo quando existe capacidade de pagamento. O desafio está no crescimento das contas em atraso e no número de consumidores que já afirmam não conseguir quitar suas dívidas. Isso reforça a importância do planejamento financeiro e do uso consciente do crédito”, destaca.