População de MS envelhece e idosos já são 10,1%, aponta IBGE

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Mãos de pessoa idosa sobre bengala em imagem de arquivo (Foto: Pixabay)

Dados da PNAD Contínua mostram queda de jovens e avanço de domicílios unipessoais

O retrato da população sul-mato-grossense está mudando — e envelhecendo. Dados divulgados pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, em 2025, os idosos com 65 anos ou mais já representam 10,1% dos moradores de Mato Grosso do Sul, o maior percentual da série histórica iniciada em 2012.

As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que aponta uma transformação no perfil etário da população ao longo da última década. Em 2012, os idosos eram 7% do total. No mesmo período, a parcela de pessoas com menos de 30 anos caiu de 52,2% para 43,5%, enquanto o grupo com 30 anos ou mais passou de 47,8% para 56,5%.

A pesquisa também evidencia diferenças entre homens e mulheres. Até os 29 anos, há predominância masculina. A partir dos 30, as mulheres passam a ser maioria, cenário que se intensifica entre os idosos. Entre pessoas com 60 anos ou mais, há 86,4 homens para cada 100 mulheres, reflexo da maior mortalidade masculina ao longo da vida.

No total, o estado soma cerca de 1,071 milhão de domicílios. As mulheres representam 50,5% da população, enquanto os homens são 49,5% — uma inversão em relação a 2012, quando havia leve predominância masculina.

Mais pessoas morando sozinhas

Outro destaque do levantamento é o crescimento das moradias unipessoais. Em 2025, 20,1% dos domicílios são ocupados por apenas uma pessoa, o maior índice já registrado. Em 2012, esse percentual era de 14,2%.

Entre quem vive sozinho, o maior grupo é formado por homens de 30 a 59 anos (32,6%). Já entre as mulheres, predominam aquelas com 60 anos ou mais, que representam 55% desse público — dado que reforça o envelhecimento populacional.

Apesar disso, o modelo familiar mais comum ainda é o nuclear, formado por casais com ou sem filhos, que corresponde a 66,2% dos lares, embora em queda em relação aos 69% registrados há pouco mais de uma década.

Mudanças na moradia e no perfil social

A PNADC também mostra transformações nas condições de moradia. Em 2025, 51,7% dos imóveis são próprios e quitados, percentual em queda ao longo dos anos. Já os domicílios alugados chegaram a 27,2%, com crescimento expressivo — só entre 2024 e 2025, a alta foi de 8,1%.

No período de 2016 a 2025, o número de imóveis alugados aumentou 66,9%, passando de 175 mil para 292 mil unidades no estado.

Em relação à infraestrutura, 91,2% das residências possuem paredes de alvenaria com revestimento, e 92% têm acesso à rede geral de água, colocando Mato Grosso do Sul entre os estados com maior cobertura do serviço no país.

O levantamento também aponta avanços no acesso a bens duráveis: 99,2% dos lares têm geladeira e 86,1% possuem máquina de lavar. Além disso, 60,2% das residências contam com carro, 34,3% têm motocicleta e 21,5% possuem ambos.

Perfil racial e tendências

No recorte por cor ou raça, 55,4% da população se declara preta ou parda, enquanto 42,7% se identifica como branca. O estado ocupa a 23ª posição no ranking nacional, mas registrou crescimento de 4,5 pontos percentuais nesse grupo desde 2012.

Os dados refletem mudanças demográficas, sociais e econômicas em curso no estado, com destaque para o envelhecimento da população, a diversificação dos arranjos familiares e as novas dinâmicas de moradia.