Exportações de MS crescem 12,7% e ultrapassam US$ 10 bilhões em dez meses

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(Foto: Claudio Neves)

Vendas de celulose e soja impulsionaram o resultado, que já se aproxima do recorde anual registrado em 2025. China segue como principal compradora dos produtos do Estado, enquanto negócios com os Estados Unidos também avançaram

Mato Grosso do Sul está perto de superar, ainda antes do fim do ano, o maior faturamento anual já registrado com exportações. Entre janeiro e outubro de 2026, as vendas de produtos sul-mato-grossenses ao mercado internacional somaram US$ 10,3 bilhões, alta de 12,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado representa quase todo o valor alcançado ao longo dos 12 meses de 2025, quando o Estado registrou o recorde de US$ 10,7 bilhões.

Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na sexta-feira (6). Somente em outubro, as exportações alcançaram US$ 990,7 milhões, crescimento de 9,5% na comparação com os US$ 905,1 milhões registrados no mesmo mês de 2025.

A celulose teve papel importante no desempenho de outubro. O produto respondeu por US$ 325,1 milhões das vendas externas, o equivalente a 32,8% do total comercializado pelo Estado no mês. O valor foi 17% superior ao registrado em outubro do ano passado.

A soja ficou na segunda posição no resultado mensal, com US$ 164,1 milhões em negócios e participação de 16,6% nas exportações.

No acumulado dos dez primeiros meses, porém, a ordem é diferente. A soja lidera a pauta exportadora, com US$ 3,1 bilhões, o equivalente a 29,8% de tudo o que Mato Grosso do Sul vendeu ao exterior. A celulose aparece logo depois, com US$ 2,8 bilhões e participação de 26,9%.

A tendência é que a celulose volte a ocupar a primeira colocação no fechamento de 2026. Isso porque as vendas do produto costumam ganhar força nos dois últimos meses do ano. Em 2025, a cadeia da soja movimentou US$ 2,5 bilhões, valor que já foi superado em cerca de US$ 600 milhões neste ano. A celulose, por sua vez, havia faturado US$ 3,1 bilhões no ano passado.

China concentra quase metade das exportações

A China continua sendo o principal destino dos produtos de Mato Grosso do Sul. Entre janeiro e outubro, o país asiático comprou US$ 4,7 bilhões em mercadorias estaduais, o equivalente a 45,7% das exportações. O resultado representa aumento de 12,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Os Estados Unidos também ampliaram as compras. Mesmo com as medidas tarifárias adotadas pelo governo do presidente Donald Trump, as exportações sul-mato-grossenses para o mercado norte-americano cresceram 47,1% nos dez primeiros meses do ano e chegaram a US$ 659,2 milhões.

Com isso, a participação dos Estados Unidos no total exportado pelo Estado passou de 5% em 2025 para 6,4% em 2026.

Na direção contrária, as vendas para a Argentina registraram queda de 27% na comparação com janeiro a outubro do ano passado. O país comprou US$ 210,15 milhões em produtos de Mato Grosso do Sul neste ano. Em todo o ano de 2025, as exportações para o mercado argentino haviam somado US$ 307 milhões.

Importação de gás natural apresenta reação em outubro

Além das exportações, os dados da balança comercial mostram aumento nas compras de gás natural da Bolívia por meio do Gasbol, sistema de transporte que abastece o mercado brasileiro.

Em outubro, as importações do produto cresceram 14% em relação a setembro, passando de US$ 56,9 milhões para US$ 64,1 milhões. A recuperação é relevante para Mato Grosso do Sul porque a entrada de gás natural está relacionada à arrecadação de ICMS, imposto dividido entre o governo estadual e os municípios.

Segundo a análise dos números, a diferença de aproximadamente US$ 7 milhões nas importações entre os dois meses pode representar incremento de cerca de R$ 6 milhões na arrecadação local.

Apesar da recuperação em outubro, o cenário ainda é de retração quando considerado o acumulado do ano. Entre janeiro e outubro, as importações de gás natural ficaram 4,6% abaixo do registrado no mesmo intervalo de 2025.

A queda, no entanto, é menor do que a observada no ano passado. Em 2025, as compras do produto recuaram 30% em relação a 2024.