“Filme de terror! Vai um tempo pra curar o trauma”, diz morador de prédio que pegou fogo na Capital

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Fogo provocou uma densa cortina de fumaça (Foto: Corpo de Bombeiros)

Casal é morador do Residencial 15 de Novembro onde ocorreu um incêndio nesta quarta-feira

Completando nesta sexta-feira (11), dois dias do incêndio que atingiu um prédio residencial na Rua 15 de novembro em Campo Grande, moradores ainda se dizem impactados com o ocorrido e relembram os momentos de tensão vividos.

"Filme de terror! Vai um tempo pra curar o trauma", diz morador de prédio que pegou fogo na Capital
Júnior e Adriely. (Foto: Arq. Pessoal)

O jovem casal Júnior e Adriely são um dos que residem no edifício 15 de Novembro, no centro e relatam o pavor que foi presenciar um evento tão traumático. “Filme de terror total! Vai um tempo pra curar o trauma”, relata Júnior Penariol, de 28 anos.

Naquela tarde de quarta-feira (9), mais um dia comum corria na rotina do casal, Adriely Ferreira, 26, psicóloga, ela atendia um paciente em formato on-line e seu marido Júnior, profissional autônomo atuante nas mídias sociais, trabalhava em seu notebook quando começaram a sentir odor de fumaça. Atentos ao trabalho acabaram não dando muita importância, já que o cheiro estava suave e pensaram vir de fora.

Minutos se passaram quando a sirene de alerta de incêndio soou deixando todos assustados. “Quando tocou, saí para ver o que estava acontecendo e foi nesse momento que percebi que a fumaça vinha de dentro do prédio. Nosso andar já acumulava uma cortina densa. Foi desesperador, pessoas abriam as portas de seus apartamentos e no instante seguinte começou a correria.”

O social mídia revela ainda, que sua esposa havia acabado de passar por uma cirurgia no joelho e tinha dificuldades para caminhar. “Corri para dentro e ajudei Adriely que precisou usar muletas. Com o elevador estava desativado foi necessário descer pelas escadas. “Tinha muita fumaça, doía para respirar. No meio do caminho quase desmaiei, mas, pedi forças pra Deus e consegui chegar com ela no térreo e sair, relembra os momentos de pavor o jovem.

"Filme de terror! Vai um tempo pra curar o trauma", diz morador de prédio que pegou fogo na Capital
A gata Penélope. (Foto/Arq. Pessoal)

No apartamento moram o casal e sua pequena gatinha, na qual eles carinhosamente se referem como filha. Na correria do momento, diante de um verdadeiro caos, com pessoas correndo e sirenes soando a filhote de três meses ficou muito assustada, correu e se escondeu. “Por sorte, meu irmão estava conosco naquela tarde. Nossa, eu beijei tanto a gatinha quando vi ele descendo com ela. Chorei de alegria, estava entrando em desespero”.

Hoje (11), já mais calmos e aliviados, ambos relembram a situação e se dizem agradecidos a Deus por terem conseguido sair, não tendo nada mais grave ocorrido a eles e qualquer outro morador. “Pernoitamos na minha mãe, porém, aos poucos tudo vai se encaixando. No fim deu tudo certo”.

A gatinha Penélope, o xodó da casa também passa bem e apesar do tremendo susto, ela continua tirando várias sonecas, por enquanto na casa do vovó. Muitos moradores também ficaram apreensivos com a situação dos pets residentes no local, porém vale ressaltar que todos foram resgatados e passam bem.

Incêndio

Uma pane no aparelho de ar-condicionado pode ter provocado o incêndio em um apartamento do Residencial XY de Novembro, na rua 15 de Novembro, no centro de Campo Grande, na tarde da última quarta-feira (9). Foi necessário utilizar a escada Magirus para socorrer os moradores, que na sua grande maioria são idosos.

O fogo começou no apartamento de número 62 do 6º andar, um morador do prédio foi até o quartel dos Bombeiros, na rua 14 de Julho, e pediu ajuda. As chamas consumiram todo o apartamento e provocou uma grande e densa cortina de fumaça, principalmente nos corredores do prédio. Os bombeiros relataram dificuldades para atender as vítimas, algumas chegaram a ficar até 2 horas presas no prédio inalando a fumaça.

Com o uso da escada Magirus, que tem o alcance de até 60 metros de altura, os idosos puderam descer em segurança. Uma moradora precisou ser resgatada de maca por conta de problemas de saúde.

Das vítimas, o caso mais grave é de um idoso de 74 anos, identificado como sendo Shinpei Sato, que estava dormindo exatamente no apartamento que pegou fogo. Ele foi um dos últimos a serem resgatados e depois levado para a Santa Casa, onde permanece estável e sedado.

Foram mobilizados seis viaturas do Corpo de Bombeiros, além de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e da Polícia Militar. O trânsito na rua do prédio, no trecho entre a 14 de Julho e a Calógeras, foi interditado.