Governo barra R$ 1,1 bilhão para PF e PRF e recursos para segurança da Copa Feminina de 2027

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PF havia solicitado R$ 697,1 milhões para cobrir despesas consideradas essenciais (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Pedidos incluíam verba para combate ao crime organizado, operações policiais, câmeras corporais e preparação do esquema de segurança do Mundial

Pedidos de reforço no orçamento feitos pela Polícia Federal (PF), pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e por outros órgãos ligados ao Ministério da Justiça foram rejeitados pela equipe econômica do governo federal durante a elaboração do Orçamento de 2026. Juntos, os créditos suplementares negados somam cerca de R$ 1,12 bilhão e, segundo os próprios órgãos, a falta desses recursos pode afetar operações policiais, o combate ao crime organizado e até a preparação da segurança para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que a Polícia Federal solicitou R$ 697,1 milhões para custear despesas consideradas essenciais. A corporação informou que o orçamento discricionário disponível já está totalmente comprometido com a manutenção das atividades básicas.

Segundo a PF, o reforço financeiro seria utilizado para renovar licenças de sistemas de investigação, ampliar a fiscalização de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs), incorporar novas aeronaves à frota e cumprir determinações do Supremo Tribunal Federal (STF), entre elas medidas previstas na chamada ADPF das Favelas, voltadas à redução da letalidade em operações policiais no Rio de Janeiro.

A instituição alertou que, sem a suplementação, parte dessas ações poderá ser reduzida ou inviabilizada.

PRF aponta impacto em operações e tecnologia

A Polícia Rodoviária Federal pediu R$ 172 milhões adicionais para recompor o orçamento diante do aumento das atividades operacionais e da elevação dos custos de contratos permanentes.

Os recursos seriam destinados à implantação de câmeras corporais, modernização da infraestrutura tecnológica, manutenção dos sistemas de comunicação por satélite, fortalecimento das ações de inteligência, capacitação de policiais, pagamento de indenizações por jornadas extraordinárias e cumprimento de decisões judiciais relacionadas à proteção de terras indígenas.

Nos documentos encaminhados ao governo, a PRF afirma que a falta desses recursos pode comprometer a segurança dos agentes, reduzir a capacidade de enfrentamento ao crime organizado, afetar a segurança cibernética da instituição e atrasar projetos de modernização tecnológica.

Copa do Mundo Feminina também motivou pedidos

Parte das solicitações rejeitadas estava relacionada aos preparativos para a Copa do Mundo Feminina de 2027.

A Polícia Federal solicitou R$ 387 milhões para ações de capacitação, aquisição de equipamentos e preparação operacional. Já a PRF pediu R$ 92,1 milhões para reforçar operações de segurança e inteligência durante o evento.

A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) também solicitou R$ 113,5 milhões para investimentos em tecnologia, implantação de centros de monitoramento, compra de sistemas antidrone e ampliação da estrutura operacional.

Os órgãos argumentaram que os investimentos precisam começar ainda em 2026 para atender às exigências da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e garantir a segurança de atletas, delegações, turistas e do público durante a competição.

Governo autorizou apenas parte dos recursos

Na justificativa encaminhada à equipe econômica, o Ministério da Justiça informou que os órgãos vinculados já operam com seus orçamentos comprometidos por despesas obrigatórias, contratos essenciais e outras obrigações legais, sem margem para remanejamentos internos.

Os pedidos foram analisados pela Junta de Execução Orçamentária, que autorizou apenas a liberação de R$ 3,8 milhões para a Senasp executar o Plano Amas, voltado ao combate de crimes ambientais na Amazônia Legal.

Na resposta oficial, a Secretaria de Orçamento Federal informou que o Ministério da Justiça poderá tentar remanejar recursos dentro do próprio orçamento, desde que haja cancelamento de outras despesas compatíveis, ou reapresentar os pedidos para uma nova análise da Junta de Execução Orçamentária.