Governo do Estado e Sebrae/MS concluem programa que transforma pesquisas em novos negócios

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Foto: Divulgação

Com foco em transformar pesquisas científicas em negócios de base tecnológica, o Sebrae/MS e o Governo do Estado encerraram, nesta quinta-feira (23), a primeira edição do MS Inova Mais: Deep Techs. O programa reuniu pesquisadores em uma jornada de aceleração voltada ao desenvolvimento de modelos de negócio e à aproximação com o mercado. O encerramento ocorreu durante o Demo Day, em Campo Grande, quando dez projetos apresentaram suas soluções a representantes do ecossistema de inovação, investidores e parceiros.

A iniciativa integra o convênio firmado entre o Governo do Estado e o Sebrae/MS, como uma das ações do programa MS Inova Mais, voltado ao fortalecimento da inovação, da ciência e do empreendedorismo de base tecnológica. Na ocasião, o secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Alex Marcel Melotto, destacou que o programa tem papel estratégico ao aproximar a produção científica do mercado.

“Os participantes aprenderam a estruturar modelos de negócio, compreender o mercado e identificar oportunidades para levar suas tecnologias ao setor produtivo. Essa mudança de mentalidade fortalece o ecossistema de inovação e amplia as possibilidades de que soluções desenvolvidas em Mato Grosso do Sul gerem desenvolvimento e cheguem à sociedade”, afirmou Melotto.

O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, reforçou que a iniciativa é inédita e fortalece a competitividade de Mato Grosso do Sul. “A proposta é transformar o conhecimento produzido nas universidades em negócios de base tecnológica. Ao incentivar esse movimento, o programa contribui para a criação de novas empresas, geração de emprego e renda e para o fortalecimento da economia do Estado”, complementou.

Governo do Estado e Sebrae/MS concluem programa que transforma pesquisas em novos negóciosSecretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, reforça que a iniciativa é inédita e fortalece a competitividade de MS.

Para o diretor-presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de MS (Fundect), Cristiano Espínola Carvalho, também conselheiro do Sebrae/MS, é fundamental fortalecer a conexão entre as universidades e o ambiente empreendedor. “O Estado tem universidades qualificadas e um mercado em crescimento, mas o desafio é transformar conhecimento em soluções para as empresas. Programas como o MS Inova Mais contribuem para essa conexão, capacitando profissionais e fortalecendo o ecossistema de inovação”, disse.

Já a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, destacou que o programa também aproxima pesquisadores das demandas do setor produtivo e amplia o potencial de inovação do Estado em áreas estratégicas. “Aproximamos a academia do mercado e criamos oportunidades para que pesquisas com potencial de inovação cheguem ao setor produtivo. Nesta edição, priorizamos áreas estratégicas, como biotecnologia, bioeconomia, alimentos e inteligência artificial, fortalecendo o ambiente de inovação e contribuindo para transformar conhecimento em desenvolvimento para Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Governo do Estado e Sebrae/MS concluem programa que transforma pesquisas em novos negóciosDiretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, destaca que o programa aproxima pesquisadores das demandas do setor produtivo e amplia o potencial de inovação do Estado.

Da ideia ao mercado

Lançado para identificar pesquisas com potencial de mercado, o MS Inova Mais: Deep Techs recebeu 243 inscrições em sua primeira edição, número que evidencia o interesse do ecossistema científico sul-mato-grossense pelo empreendedorismo. Desse total, 40 projetos foram selecionados para participar de uma jornada de aceleração de quatro meses junto à organização Emerge Brasil, composta por mentorias individuais e coletivas, capacitações, diagnósticos especializados, modelagem de negócios e preparação para apresentação a investidores e parceiros estratégicos.

O perfil dos projetos selecionados chama atenção pelo grau de maturidade: quase 70% deles já haviam superado a fase inicial de ideia ou pesquisa básica. Do total, 48% (20 projetos) estavam em prototipagem, com provas de conceito, protótipos ou soluções já validadas, enquanto 21% (9 projetos) encontravam-se em fase de validação de mercado, em piloto ou já disponíveis comercialmente. Apenas 31% (13 projetos) permaneciam na etapa inicial, de ideia ou pesquisa básica.

Quanto às áreas temáticas, a Bioeconomia lidera com 23,8% dos projetos, seguida por Inteligência Artificial (21,4%), Meio Ambiente e Sustentabilidade (19%), outras áreas de base científica (14,3%), Biotecnologia (11,9%) e Agronegócio e Alimentos (9,5%), recorte que dialoga diretamente com as vocações econômicas do Estado.

O levantamento também traçou um retrato do capital humano por trás dos projetos. Entre os participantes, 84 possuem doutorado, 53 têm graduação, 46 são pós-doutores, 43 têm mestrado e 18 possuem especialização ou MBA, uma concentração expressiva de formação em nível de pós-graduação que reforça o caráter científico das propostas apresentadas.

Demo Day: negócios de base científica em vitrine

Dos 40 projetos acompanhados, dez apresentaram seus pitches para representantes do ecossistema de inovação no Demo Day, etapa que marcou o encerramento da jornada. As apresentações evidenciaram o nível de maturidade alcançado pelos projetos e sua preparação para futuras oportunidades de mercado e captação de investimentos.

Participaram desta etapa as empresas Curie Biocosméticos, que produz cosméticos naturais, veganos e biodegradáveis com uso de nanotecnologia, e a Pantabio, dedicada a bioinsumos microbiológicos de alta performance a partir de Trichoderma nativo. A BioPulsar apresentou uma plataforma de nutrição esportiva funcional baseada em bioativos do Cerrado e do Pantanal, enquanto a Peptigen Bio® desenvolve uma plataforma de engenharia de peptídeos bioinspirados voltada a bioinsumos agrícolas sustentáveis. Já a Selkis Biotech atua com pesquisa, síntese e assessoria em peptídeos de alto potencial biotecnológico.

Na área de saúde e bem-estar, a Fotoknee desenvolve um dispositivo de luz vestível para aplicações em fotobiomodulação, e há ainda um cosmético capilar à base de peptídeo bioinspirado, voltado ao tratamento da alopecia androgenética. No campo tecnológico, a Spectrion oferece um ativo proprietário que implementa algoritmos avançados diretamente em hardware, como FPGAs, SoCs e ASICs. Completam a lista a NanoStomoxys, com uma solução sustentável para o controle da mosca-dos-estábulos, e a AgroSentinel, que desenvolve um sistema de inspeção de processos industriais agrícolas.

Para o pesquisador João Vitor, da AgroSentinel, a jornada de aceleração foi decisiva. “Quando iniciamos o programa, tínhamos uma boa ideia e uma tecnologia validada, mas ainda não sabíamos como apresentá-la ao mercado. Durante os quatro meses de aceleração, aprendemos a estruturar um pitch, identificar nosso público e comunicar melhor a proposta de valor da solução. Esse processo nos ajudou a enxergar oportunidades de negócio e a entender o potencial comercial da pesquisa que desenvolvemos.”

Governo do Estado e Sebrae/MS concluem programa que transforma pesquisas em novos negóciosA AgroSentinel, startup que desenvolve um sistema de inspeção de processos industriais agrícolas, esteve entre os dez projetos selecionados para apresentar seu pitch no Demo Day, etapa final da jornada de aceleração.

A troca de experiências entre pesquisadores, mentores e especialistas foi um dos diferenciais da jornada, contribuindo para fortalecer competências empreendedoras e ampliar a visão de mercado dos participantes. Segundo o pesquisador e empreendedor Tiago Calves, da PantaBio, o programa proporcionou uma mudança de mentalidade ao mostrar como o conhecimento científico pode ser transformado em oportunidades de negócio e gerar impacto no setor produtivo.

“Durante a aceleração, passamos a enxergar nossa pesquisa além da publicação científica. Aprendemos a estruturar um modelo de negócio, compreender o mercado, negociar e apresentar nossa solução para quem realmente vai utilizá-la. Essa virada de chave empreendedora nos permitiu planejar os próximos passos da PantaBio, buscar investimentos e avançar com a expectativa de levar nossa tecnologia a novos mercados nos próximos anos.”