Indígenas deixam fazendas ocupadas em Sidrolândia após ação da PM e Funai

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(Foto: PMMS)

Polícia Militar relata incêndios, danos a maquinários e furto de insumos; governo federal acompanha negociação sobre área reivindicada pelos terena

Indígenas do território Buriti deixaram duas fazendas ocupadas em Sidrolândia, a cerca de 70 quilômetros de Campo Grande, após ação da Polícia Militar e mediação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), neste domingo (14).

Segundo a Polícia Militar, as propriedades ocupadas foram as fazendas São Sebastião e Água Clara. Durante a operação, equipes encontraram residências destruídas por incêndios, danos em maquinários agrícolas, além de relatos de furto de insumos e equipamentos.

Imagens divulgadas pela corporação mostram uma casa completamente destruída pelo fogo na Fazenda São Sebastião. A PM também informou que árvores foram derrubadas e utilizadas como barricadas para dificultar a entrada das equipes policiais.

Para a operação, foram mobilizados policiais do Comando de Policiamento Metropolitano, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária e do Batalhão Rural. Após a retirada dos ocupantes, equipes permaneceram na região para evitar novas invasões e auxiliar nas investigações.

Indígenas deixam fazendas ocupadas em Sidrolândia após ação da PM e Funai

De acordo com a corporação, a situação foi controlada e, até o momento, é considerada tranquila. A perícia técnica foi acionada para levantar os danos materiais e avaliar os prejuízos causados às propriedades. O caso será encaminhado à Polícia Civil, responsável pela investigação.

Mediação do governo federal

O Ministério dos Povos Indígenas informou que acompanha a situação e que a Funai atua na mediação do conflito. Em entrevista, o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Henrique Eloy Amado, afirmou que os indígenas já haviam deixado a área e que o objetivo é evitar o agravamento das tensões.

Segundo o ministro, lideranças indígenas foram orientadas a aguardar as negociações enquanto o governo federal busca construir uma solução por meio do diálogo. Ele também afirmou que servidores da Funai verificam denúncias sobre equipamentos que teriam sido levados durante a ocupação.

Disputa por território

A ocupação ocorreu em uma área reivindicada pelos indígenas terena do território Buriti. As lideranças afirmam que as propriedades estão sobrepostas aos 17,2 mil hectares da Terra Indígena Buriti, cujo processo de demarcação está paralisado desde 2013.

A disputa fundiária na região se arrasta há décadas e tem histórico de conflitos. Em 2013, durante uma ação de reintegração de posse na Fazenda Buriti, o indígena Oziel Gabriel Terena morreu após ser atingido por um disparo. Investigação do Ministério Público Federal concluiu que o projétil partiu de uma arma utilizada pela Polícia Federal, mas não foi possível identificar o autor do disparo.

O governo federal informou que trabalha para retomar uma mesa de diálogo entre indígenas, produtores rurais e autoridades, buscando uma solução negociada para o impasse fundiário na região.