Irã e EUA divergem sobre detalhes do memorando, mas confirmam encerramento das operações militares

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Segundo Donald Trump, acordo com Irã inclui a abertura imediata do estreito de Ormuz (Foto: Reprodução/White House)

Documento deve ser assinado no dia 19 e prevê cessar-fogo de 60 dias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (14) que o acordo de paz com o Irã para encerrar o conflito entre os dois países está concluído. Segundo o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, a assinatura oficial do documento deve ocorrer na próxima sexta-feira (19), na Suíça, em uma cerimônia que ainda está sendo organizada pelas partes envolvidas.

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De acordo com Trump, o entendimento prevê a abertura imediata do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio global de petróleo, além do fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos na região. Em publicação na rede Truth Social, o presidente norte-americano disse já ter autorizado a retirada das restrições e defendeu a retomada plena da circulação de embarcações.

“Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, escreveu Trump, ao comentar o acordo.

O anúncio foi reforçado por Shehbaz Sharif, que afirmou que as operações militares foram encerradas de forma imediata e permanente em diferentes frentes do conflito, incluindo a região do Líbano.

Do lado iraniano, a emissora estatal informou que o Estreito de Ormuz poderá ser reaberto em até 30 dias e que o país teria estabelecido condições para a implementação do acordo. Segundo Teerã, o tráfego marítimo no Golfo será regulado pelo próprio Irã, em coordenação com Omã.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou o fim do bloqueio naval norte-americano e disse que o texto do memorando de entendimento será divulgado após a assinatura oficial. Ele também afirmou que as negociações para um acordo definitivo devem se estender por cerca de 60 dias.

Gharibabadi destacou ainda que o Irã manterá suas Forças Armadas em estado de alerta e poderá reagir em caso de descumprimento do acordo, reforçando que o memorando não representa um gesto de confiança plena entre as partes.

O que se sabe sobre o acordo

Embora o texto oficial ainda não tenha sido divulgado, informações atribuídas a autoridades dos dois países e publicadas por veículos internacionais indicam que o memorando prevê:

  • reabertura imediata do Estreito de Ormuz sem cobrança de taxas;
  • cessar-fogo de 60 dias em diferentes frentes do conflito, incluindo o Líbano;
  • flexibilização gradual de sanções econômicas contra o Irã;
  • retirada de forças militares dos EUA de áreas próximas ao território iraniano;
  • compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares;
  • suspensão de restrições ao comércio marítimo na região;
  • retenção de ativos iranianos congelados até o cumprimento das etapas do acordo.

Trump já havia indicado, em publicações anteriores, que esperava uma conclusão rápida das negociações, embora tenha afirmado que os Estados Unidos mantêm uma “alternativa definitiva” caso o acordo não avance. O presidente também declarou que pretende, em momento oportuno, remover e destruir material nuclear enterrado em instalações subterrâneas no Irã.

Escalada e avanço das negociações

As conversas avançaram após uma nova onda de tensão entre os dois países, que voltaram a trocar ataques na semana passada, mesmo sob um cessar-fogo anterior.

A crise se intensificou após a queda de um helicóptero militar norte-americano na região do Estreito de Ormuz. Washington atribuiu o episódio ao Irã e respondeu com bombardeios contra sistemas de defesa e radares iranianos. Teerã reagiu com ataques no Golfo Pérsico e chegou a anunciar o fechamento do estreito.

O cenário começou a mudar na última quinta-feira (11), quando Trump anunciou o cancelamento de uma nova ofensiva militar. Segundo ele, os negociadores chegaram a um consenso sobre pontos centrais do acordo de paz.

Apesar do anúncio de entendimento, autoridades dos dois países ainda tratam o texto como um memorando em fase final de consolidação, e a assinatura na Suíça deve formalizar os termos do cessar-fogo e abrir uma nova etapa de negociações diplomáticas.