Exames apontaram ausência da droga e derrubaram suspeita de uma das maiores apreensões da história do Brasil
A suspeita de uma das maiores apreensões de cocaína da história do Brasil foi descartada após a conclusão de laudos da Polícia Federal. Exames periciais apontaram que a substância encontrada impregnada em cerca de 260 toneladas de madeira, apreendidas em junho na fronteira com a Bolívia, em Corumbá (MS) e Cáceres (MT), não continha cocaína.
Os laudos foram elaborados pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília, e analisaram amostras recolhidas das cargas interceptadas nos dois estados. O resultado foi o mesmo em todos os testes: não houve identificação da droga que havia motivado a operação.
A apreensão ganhou repercussão nacional após exames preliminares indicarem a presença de cocaína líquida infiltrada na madeira, hipótese que levou as autoridades a classificarem o caso, inicialmente, como uma possível apreensão recorde de entorpecentes.
Perícia descartou presença de cocaína

Segundo os relatórios periciais, os fragmentos retirados dos troncos passaram por diferentes etapas de análise.
Inicialmente, os peritos realizaram inspeção visual para avaliar características como cor, textura e marcas na madeira. Em seguida, o material foi submetido a um processo de extração química. Após evaporação e aplicação de solventes específicos, as amostras foram comparadas com o padrão químico da cocaína.
O resultado apontou apenas a presença de compostos naturais característicos de materiais vegetais, sem qualquer vestígio da droga.
Até o momento, a Polícia Federal não se pronunciou oficialmente sobre a conclusão dos exames. Já a Receita Federal em Mato Grosso do Sul informou que ainda não havia recebido os laudos definitivos.
Operação mobilizou forças de segurança

A carga era transportada por oito caminhões apreendidos no dia 21 de junho. Quatro veículos foram interceptados em Corumbá e outros quatro em Cáceres, municípios localizados na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia.
Na época, análises preliminares indicaram a existência de cocaína líquida impregnada na madeira. Com base em casos semelhantes, a Receita Federal estimou que entre 10% e 20% do peso da carga poderia corresponder ao entorpecente.
Caso a suspeita fosse confirmada, a operação poderia resultar na apreensão de 20 a 50 toneladas de cocaína, volume que seria considerado a maior apreensão já registrada no Brasil e uma das maiores do mundo.
Suspeita foi reforçada por caso semelhante no Chile
A hipótese ganhou força porque, também em junho, autoridades chilenas apreenderam aproximadamente 100 toneladas de cocaína escondidas pelo mesmo método, com droga líquida infiltrada em madeira proveniente da Bolívia.
Informações de inteligência compartilhadas por autoridades norte-americanas apontavam, inclusive, uma possível ligação entre os dois casos, indicando um mesmo centro de produção boliviano.
Cooperação internacional
A ação fez parte da operação Timber Shield, desenvolvida em conjunto pela Receita Federal, Polícia Federal, Exército Brasileiro, pela agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA) e pela Aduana Nacional da Bolívia.
Na ocasião, o governo federal destacou a complexidade do esquema utilizado por organizações criminosas para ocultar drogas em cargas de madeira e ressaltou a importância da cooperação internacional no combate ao tráfico transnacional.
Com o resultado negativo da perícia, a investigação deverá buscar esclarecer qual era, de fato, a substância encontrada na madeira e as circunstâncias que levaram à suspeita inicial.





















