Um diagnóstico inédito traçou o perfil e as condições de vida de 488 mulheres em regime fechado em seis estabelecimentos penais do interior de Mato Grosso do Sul.
O levantamento, apresentado pela Defensoria Pública, expõe um histórico de vulnerabilidade que marca a trajetória dessas mulheres, além de apontar desafios dentro do próprio sistema prisional.
O perfil das mulheres entrevistadas
Os dados foram coletados entre novembro de 2025 e julho de 2026 nas unidades de Rio Brilhante, São Gabriel do Oeste, Três Lagoas, Corumbá, Ponta Porã e Jateí. A divulgação ocorreu no dia 28 de outubro.
Entre os principais achados:
- 56,5% sofreram violência doméstica antes da prisão;
- 39,3% relataram violência ou abuso sexual na infância ou adolescência;
- 70,5% se autodeclararam negras;
- 86,7% são mães;
- 80,5% contribuíam para o sustento da família antes de serem presas;
- 77,3% tiveram o primeiro filho antes dos 20 anos de idade.
A pesquisa revelou ainda que 20,1% das entrevistadas relataram ter sofrido algum tipo de violência durante o cumprimento da pena. Dessas, em 55 dos 98 casos registrados, os autores das agressões eram agentes do Estado.
Saúde reprodutiva e vínculos familiares
Outro dado alarmante: 58,6% afirmam não ter acesso a métodos contraceptivos na unidade prisional e 53,7% nunca receberam orientação sobre direitos sexuais e reprodutivos.
A pesquisa também aponta fragilidade nos vínculos familiares, um fator determinante para a ressocialização e a progressão de regime.
Base para novas políticas
Conforme a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), defensora pública Kricilaine Oliveira Souza Oksman, o objetivo do trabalho é transformar informação em ação.
“Queremos compreender as trajetórias, as violências e as barreiras de direitos. A partir disso, aperfeiçoar nossa atuação e contribuir para políticas públicas que considerem a realidade específica das mulheres no sistema prisional”.
O estudo dá continuidade a um diagnóstico feito em 2022 na capital e agora amplia o conhecimento para o interior. Os resultados vão orientar o planejamento de atendimentos jurídicos, ações de proteção e a formulação de novas estratégias de garantia de direitos.





















