Mês de junho na Capital será voltado à conscientização sobre a saúde mental do homem

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Os números de Mato Grosso do Sul demonstram que a saúde mental masculina precisa ser debatida sem estigmas - Foto: Luciana Nassar/ALEMS/Arquivo

Foi publicada no Diário Oficial do Município (Diogrande) dessa terça-feira (30) a Lei Municipal 7.650/2026, que institui o “Mês de Conscientização sobre a Saúde Mental do Homem”.

A iniciativa, sancionada pela prefeita Adriane Lopes (PP), será celebrada anualmente durante todo o mês de junho e tem como foco principal quebrar barreiras culturais e incentivar o cuidado com a saúde mental da população masculina.

Conforme estabelece o texto legal, as ações previstas visam:

  • Promover a conscientização sobre a realidade da saúde mental masculina;
  • Incentivar a procura espontânea por atendimento psicológico e psiquiátrico;
  • Divulgar dados e orientações sobre a prevenção ao suicídio;
  • Estimular o cuidado preventivo e combater o preconceito que ainda associa a busca por ajuda a “fraqueza” ou “falta de capacidade”.

Durante o mês de junho, o Poder Executivo poderá organizar campanhas educativas, palestras, rodas de conversa, materiais informativos e outras atividades.

As ações podem ser realizadas em parceria com instituições públicas, privadas e organizações da sociedade civil, sempre respeitando a legislação vigente e conforme a disponibilidade orçamentária do município.

Por que essa iniciativa é necessária?

Estudos e dados de saúde pública mostram que, em muitas culturas, os homens recebem desde cedo a mensagem de que devem ser “fortes”, não demonstrar emoções e resolver seus problemas sozinhos.

Essa construção social faz com que muitos adiem ou evitem procurar ajuda mesmo quando estão sofrendo, o que pode agravar quadros de ansiedade, depressão, estresse e outros transtornos mentais.

No Brasil, as taxas de suicídio são maiores entre os homens: segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 78% dos casos registrados no país envolvem a população masculina, reflexo direto da dificuldade em compartilhar sentimentos e buscar suporte especializado.

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

Muitas vezes, os sintomas não aparecem da forma tradicional. Nos homens, a sofrimento mental pode se manifestar por meio de:

  • Irritabilidade frequente, explosões de raiva ou agressividade;
  • Isolamento de amigos, familiares e atividades que antes davam prazer;
  • Uso excessivo de álcool, tabaco ou outras substâncias;
  • Dificuldade para dormir ou, ao contrário, sono excessivo;
  • Queda no desempenho no trabalho ou nos estudos;
  • Queixas frequentes de dores físicas sem causa médica aparente;
  • Sentimentos de desesperança, culpa ou pensamentos de morte.

Cuidados e orientações

  • Fale sobre o que sente: Compartilhar dificuldades com pessoas de confiança já é um primeiro passo importante.
  • Não ignore os sintomas: Sentir tristeza, cansaço ou desânimo não é sinal de falha de caráter — é um alerta do corpo e da mente.
  • Busque ajuda profissional: O psicólogo e o psiquiatra são os profissionais indicados para avaliar o quadro e indicar o tratamento mais adequado.
  • Mantenha hábitos saudáveis: Praticar atividades físicas, alimentar-se bem, dormir o suficiente e reservar tempo para momentos de lazer ajudam a manter o equilíbrio emocional.

Onde buscar ajuda em Campo Grande?

A rede pública de saúde oferece atendimento gratuito e acessível:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): Primeiro ponto de contato, onde é possível receber orientação e encaminhamento para especialistas.
  • Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): Unidades especializadas no atendimento de pessoas com transtornos mentais, com atendimento diário e acompanhamento contínuo.
  • SAMU (192): Em situações de risco iminente ou emergência, acione o serviço de atendimento móvel de urgência.
  • Centro de Valorização da Vida (CVV): Atendimento gratuito, sigiloso e 24h por dia, pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br, para apoio emocional e prevenção ao suicídio.