Militar preso por morte de motociclista na Capital estava afastado do Exército para tratamento de saúde

5
Militar do Exército postou foto de whisky antes de acidente que matou motociclista (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Comando Militar do Oeste informou que soldado estava fora das funções havia quase um ano; após receber alta médica, ele foi encaminhado para prisão militar e ficará à disposição da Justiça

O soldado do Exército preso após o acidente que matou a vigilante Miriam Rosa Matos, de 45 anos, na manhã deste sábado (20), em Campo Grande, estava afastado das atividades militares havia quase um ano para tratamento de saúde. A informação foi confirmada pelo Comando Militar do Oeste (CMO), que informou ainda que o militar permanecerá preso em unidade militar após receber alta médica.

Em nota, o CMO informou que o soldado, de 22 anos, será encaminhado a um estabelecimento prisional militar, onde ficará à disposição da Justiça. A instituição também afirmou que colabora com as investigações e reiterou que não compactua com condutas que contrariem os princípios éticos, os valores militares e a legislação brasileira.

“O Comando Militar do Oeste lamenta profundamente os fatos noticiados e reafirma que o Exército Brasileiro não compactua com condutas que contrariem os princípios éticos, os valores militares e o ordenamento jurídico vigente”, informou a corporação.

Acidente aconteceu na região central

A colisão foi registrada por volta das 6h25, no cruzamento das ruas Maracaju e Padre João Crippa, na região central de Campo Grande.

Segundo a Polícia Militar, Miriam pilotava uma motocicleta Yamaha Factor quando foi atingida por uma caminhonete Chevrolet S10 conduzida pelo militar, que seguia pela Rua Maracaju em direção à Avenida Presidente Ernesto Geisel.

Com a força da batida, a motociclista foi arremessada por dezenas de metros e morreu ainda no local. A motocicleta ficou completamente destruída e partes do veículo foram espalhadas pela via.

Após a colisão, o motorista perdeu o controle da caminhonete, derrubou uma árvore, atingiu o portão de um imóvel e só parou no estacionamento de uma clínica particular, onde também causou danos ao corrimão da entrada.

Imagens registraram a colisão

Câmeras de segurança instaladas nas proximidades registraram o momento do acidente. As imagens mostram a caminhonete em alta velocidade antes da colisão e o veículo girando na pista até atingir uma árvore.

Também é possível ver peças da motocicleta sendo lançadas pela via após o impacto.

Investigação aponta fuga após outra batida

As investigações iniciais indicam que, minutos antes de atingir a motociclista, o motorista da caminhonete teria se envolvido em outro acidente de trânsito.

Segundo relato do condutor de um Volkswagen Virtus atingido anteriormente, a S10 colidiu com o veículo no cruzamento das ruas Marechal Rondon e Padre João Crippa. O motorista afirmou que o militar não parou para prestar esclarecimentos e fugiu em alta velocidade.

A Polícia Civil apura se há relação entre os dois acidentes e analisa imagens de câmeras de monitoramento para reconstituir a dinâmica dos fatos.

Polícia apontou sinais de embriaguez

Conforme o boletim de ocorrência, o motorista da caminhonete e o passageiro apresentavam sinais de embriaguez.

O teste do bafômetro não foi realizado porque ambos foram encaminhados para atendimento médico após o acidente. Mesmo assim, os policiais registraram um termo de constatação de alteração da capacidade psicomotora.

Dentro da caminhonete, os policiais encontraram garrafas de bebida alcoólica e latas de cerveja.

Além disso, horas antes da colisão, o militar publicou nas redes sociais uma imagem exibindo uma garrafa de bebida alcoólica.

Soldado permanece à disposição da Justiça

Após receber atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, o soldado foi conduzido para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Cepol).

De acordo com o Comando Militar do Oeste, após a alta hospitalar ele foi transferido para um estabelecimento prisional militar, onde permanecerá custodiado enquanto o caso é investigado.

A Polícia Civil aguarda os laudos da perícia e a conclusão das análises das imagens de segurança para esclarecer as circunstâncias do acidente e definir as responsabilidades pelo caso.