Estado ampliou de oito para 36 o número de municípios com mais de 90% de atendimento em cinco anos; obras incluem novas redes, ligações domiciliares e estações de tratamento
A ampliação da rede de esgoto se tornou um dos principais indicadores da transformação da infraestrutura de Mato Grosso do Sul. No ano em que completa 49 anos, o Estado registra 82% de cobertura de esgotamento sanitário, enquanto dezenas de municípios já ultrapassaram 90% de atendimento e novas obras buscam levar o serviço a áreas que ainda não contam com coleta e tratamento adequados.
O avanço aparece na comparação dos últimos cinco anos. Em 2021, oito municípios sul-mato-grossenses tinham cobertura superior a 90%. Em 2026, esse número chegou a 36, segundo dados divulgados pelas empresas responsáveis pelos serviços de saneamento no Estado.
O patamar de 90% está alinhado à meta de universalização prevista no Marco Legal do Saneamento, que estabelece, até 2033, o objetivo de atender 90% da população com coleta e tratamento de esgoto. O cumprimento da meta depende da ampliação da infraestrutura e da efetiva prestação dos serviços à população.
Para o governador Eduardo Riedel, o resultado está relacionado ao planejamento de longo prazo e à participação de investimentos privados na expansão do saneamento. “Saneamento é saúde, bem-estar e qualidade de vida. Tenho orgulho em dizer que Mato Grosso do Sul caminha para ser o primeiro estado do Brasil a universalizar o esgotamento sanitário, antes do prazo nacional”, afirmou o governador. Segundo ele, os investimentos também contribuem para o desenvolvimento do turismo, da educação e da proteção ambiental.
Obras ampliam atendimento no interior
A expansão dos sistemas de esgotamento sanitário no interior é realizada pela Ambiental MS Pantanal, em parceria público-privada com a Sanesul. A atuação abrange 68 municípios e envolve a implantação de redes coletoras, ligações domiciliares, estações elevatórias, emissários e unidades de tratamento.
Em Campo Grande, os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário são operados pela Águas Guariroba.
Entre os municípios que recebem obras está Itaquiraí, onde a implantação de um novo sistema deve elevar a cobertura para aproximadamente 98%. Em Taquarussu, que tinha atendimento praticamente inexistente, uma nova estrutura também foi projetada para alcançar cerca de 98% da população.
Sonora, Rio Verde de Mato Grosso, Fátima do Sul, Chapadão do Sul, Selvíria e Caarapó estão entre as cidades que registram expansão das redes, das ligações domiciliares e das estruturas operacionais.
Para o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, a ampliação da infraestrutura representa uma mudança direta nas condições de vida da população. “Cada rede implantada e cada estação de tratamento construída representam avanços concretos na vida das pessoas. Trabalhamos com responsabilidade e visão de futuro, porque o acesso ao saneamento é essencial para a saúde, o desenvolvimento social e a preservação ambiental”, declarou.
Já o diretor-presidente da Ambiental MS Pantanal e da Águas Guariroba, Gabriel Buim, destacou que os efeitos do saneamento ultrapassam os limites dos municípios. Segundo ele, a coleta e o tratamento do esgoto antes do lançamento no meio ambiente ajudam a proteger os recursos hídricos e a reduzir os impactos da poluição sobre rios e córregos.
O diretor-executivo das duas empresas, Clayton Bezerra, também ressaltou a mudança observada em cidades que tinham cobertura reduzida ou praticamente inexistente. De acordo com ele, a evolução ocorre à medida que as redes são implantadas, as estações entram em operação e novas residências passam a contar com o serviço.
Mais de 104 milhões de litros de esgoto são tratados por dia
A ampliação da cobertura também aumenta o volume de resíduos coletados e tratados antes de serem devolvidos ao meio ambiente. De acordo com a Ambiental MS Pantanal, a empresa trata aproximadamente 104 milhões de litros de esgoto por dia nos municípios do interior atendidos pela concessionária.
Desde o início da operação, em 2021, mais de 131,4 bilhões de litros de esgoto foram coletados e tratados. O trabalho busca reduzir o despejo de resíduos sem tratamento em rios, córregos e outros corpos hídricos.
As obras de ampliação da capacidade de tratamento também avançam em diferentes regiões. Em Itaquiraí, a nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) está praticamente concluída. Em Taquarussu, a implantação da unidade está na fase final, enquanto Fátima do Sul recebe melhorias para ampliar a capacidade da estação existente.
Segundo a empresa, as três intervenções somam aproximadamente 92% de execução.
Na capital, a Águas Guariroba mantém mais de 3,4 mil quilômetros de redes de esgoto e três estações de tratamento: Los Angeles, Imbirussu e Botas.
Meta nacional prevê universalização até 2033
O Marco Legal do Saneamento estabelece que os serviços de abastecimento de água potável devem alcançar 99% da população brasileira e que a coleta e o tratamento de esgoto devem atender 90% dos habitantes até 31 de dezembro de 2033. As metas estão previstas na Lei nº 11.445/2007, atualizada pela Lei nº 14.026/2020.
Em Mato Grosso do Sul, a ampliação da cobertura envolve a atuação conjunta do Governo do Estado, da Sanesul e das concessionárias Ambiental MS Pantanal e Águas Guariroba, integrantes do grupo Aegea.
A empresa informa que atua em mais de 890 municípios brasileiros e atende mais de 39 milhões de pessoas em diferentes regiões do país.
O avanço do esgotamento sanitário representa uma etapa importante para o desenvolvimento estadual, mas o desafio vai além da instalação de tubulações e estações de tratamento. A expansão precisa garantir que as estruturas entrem em operação, que as residências sejam efetivamente conectadas à rede e que o esgoto coletado receba tratamento adequado.
Ao completar 49 anos, Mato Grosso do Sul amplia a infraestrutura de saneamento em busca de melhores indicadores de saúde pública, preservação ambiental e qualidade de vida. O ritmo das obras e a efetiva ampliação do atendimento serão determinantes para que o Estado alcance a universalização antes do prazo nacional.





















