Profissionais acompanham urgência e emergência e orientam usuários sobre as portas de entrada da rede pública
Nem todo paciente que chega ao pronto-socorro precisa, de fato, permanecer em um hospital de alta complexidade. Para identificar esses casos e ajudar a direcioná-los para o serviço mais adequado, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) mantém diariamente uma equipe dentro da Santa Casa de Campo Grande.
A atuação é feita pela Unidade de Coordenação do Cuidado (UCC), que funciona como uma ligação entre o hospital e a Rede de Atenção à Saúde do município. O trabalho começa quando pacientes procuram diretamente o pronto-socorro, mesmo sem terem passado anteriormente por uma unidade da rede de urgência.
Embora a Santa Casa não seja uma unidade de porta aberta para atendimento espontâneo, moradores de Campo Grande e pacientes de outros municípios acabam procurando o hospital por conta própria. Depois da Classificação de Risco realizada pela própria unidade, a equipe da Sesau acompanha os casos que apresentam perfil de baixa ou média complexidade.
Nessas situações, os profissionais orientam o paciente e articulam o encaminhamento para outro serviço da rede, onde o atendimento possa continuar de acordo com a necessidade apresentada.
A estratégia busca evitar que casos que podem ser resolvidos em unidades de menor complexidade permaneçam concentrados no pronto-socorro de um hospital estruturado para atender situações mais graves.
Acompanhamento acontece dentro do pronto-socorro
A rotina da UCC inclui a participação nos chamados huddles, reuniões rápidas realizadas pelas equipes do pronto-socorro para acompanhar a situação assistencial, discutir casos críticos e avaliar os fluxos de atendimento e disponibilidade de leitos.
Os profissionais também fazem visitas técnicas e realizam busca ativa de pacientes nas áreas de urgência e emergência adulta e pediátrica.
A partir desse acompanhamento, a equipe consegue identificar usuários que não necessitam de atendimento hospitalar de maior complexidade e orientar sobre as alternativas disponíveis na rede pública.
Além do encaminhamento, os profissionais explicam aos pacientes como funciona a estrutura de atendimento do município e qual é a porta de entrada mais adequada para cada tipo de necessidade.
Trabalho busca organizar atendimento
Na prática, a equipe da Sesau atua nos bastidores do pronto-socorro, acompanhando o movimento da unidade, identificando situações que podem ser resolvidas fora do hospital e articulando os encaminhamentos necessários.
A presença dos profissionais também permite a discussão e a revisão de protocolos em conjunto com a Santa Casa, além do aprimoramento dos fluxos assistenciais.
A proposta é fazer com que cada paciente seja direcionado ao ponto da rede mais adequado à sua condição, enquanto o hospital consegue concentrar sua estrutura nos casos que realmente exigem atendimento de maior complexidade.
Segundo o superintendente de Atenção Especializada e Urgência à Saúde da Sesau, Yama Higa, muitos pacientes chegam ao pronto-socorro sem saber qual serviço seria mais adequado para resolver o problema apresentado.
“Essa é uma atuação que muitas vezes não aparece para quem está do lado de fora, mas é fundamental para organizar o cuidado. Quando um paciente chega espontaneamente ao pronto-socorro e não apresenta necessidade de atendimento hospitalar, nossa equipe atua para orientar, encaminhar e garantir que ele tenha continuidade na rede adequada. Ao mesmo tempo, acompanhamos de perto a dinâmica do hospital e participamos das discussões dos fluxos assistenciais”, afirmou.
Segundo a secretaria, o trabalho diário busca conciliar duas necessidades: garantir que o paciente encontre atendimento no local mais adequado e evitar que o pronto-socorro fique sobrecarregado com casos que podem ser resolvidos em outros pontos da rede de saúde.











