Marlene Mourão, mais conhecida como Peninha, é reconhecida pelo seu traço bico-de-pena e pela divulgação da beleza do Pantanal em aquarelas

O Plurissignificativo Pantaneiro

Estamos vivendo uma fase talvez nunca vista anteriormente. Uma espessa camada de realidade está sobre nós. Cada um reage a seu modo. Alguns estão agressivos, outros intolerantes, muitos estão deprimidos. É preciso construir esperanças, derramar nos espaços que habitamos uma poeira de amor e sentimentos positivos. E um desses nomes que ao meu ver tem feito essa miscigenação há muito tempo é Marlene Mourão, mais conhecida como Peninha. Conheci no dia em que fui eleito para o Conselho de Políticas Culturais, lei 2135/09, representando os jornalistas da Cidade Branca, mas seu nome já era recorrente em rodas de conversas sobre cultura. Escritora, poeta e artista plástica. Nasceu em Coxim e há quatro décadas reside em Corumbá. É reconhecida pelo seu traço bico-de-pena e pela divulgação da beleza do Pantanal em aquarelas, sendo indicada para o Oscar Celebridade 2022. Ela tem colocado sua arte a serviço dos interesses maiores da coletividade.

Numa destas obras, notadamente um livro infantil “Pacu: era um peixe que vivia feliz nas águas do Rio Paraguai”, de 2002, alia literatura aos desenhos, encantando crianças e adultos. Suas obras trazem forte apelo em defesa do meio ambiente. É uma voz forte da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida no coração do Pantanal, participou do Pacto pela Cidadania por meio do Movimento Viva Corumbá, na luta pelo Trem do Pantanal e também em defesa do rio Paraguai, quando coordenou a Organização de Cidadania, Cultura e Ambiente (OCCA).

Em sua biografia consta que durante a 5ª edição do Festival América do Sul, em 2008, Marlene Mourão foi uma das cinco personalidades homenageadas no evento que reúne artistas de grande expressividade dos países sul-americanos. Seu livro sobredito faz parte do rol de obras que vão compondo o universo da literatura infantil em Mato Grosso do Sul. Outrossim, o livro Pacu: um peixe que vivia feliz nas águas do rio Paraguai escrito e ilustrado, pela artista em comento é uma obra cujo foco se concentra nas aventuras vividas por Pacu, um peixe que era feliz, até encontrar-se com Pedro, um pescador adstringente que naquelas águas vivia a pescar. Até que um dia o peixe arroja-se a retirar a cabeça da água para saber do pobre pescador o motivo pelo qual os homens matavam os peixes. Indignado com a resposta obtida, o peixe resolve, num passe de mágica da natureza, enfeitar-se de gente para conferir a triste realidade.

Espantado com os contrastes marcados por uma terra aonde fervilha o resíduo orgânico esquecido mas que também podia ser bela e colorida por flores, o pequeno ser se depara ainda com várias outras cenas características da região pantaneira. E neste caminhar outros personagens vão surgindo, como o turista pescador, e as diversas espécies de peixe encontradas no Rio Paraguai.

Inconformado com a matança, o peixe protagonista ainda se lembra da comovente resposta de Pedro, o Pescador; e antes de voltar para as profundezas do Rio se defronta com a afirmação que no livro vale como o apogeu da trama. Tem muita gente com fome, Pacu! é o corolário retumbante. Ao retornar ao lar, onde podia juntar esforços, pacu convoca, lambaris, tuviras, bagres, dourados e traíras para demonstrar a na arte de se ressignificar as atitudes dos homens que naquele ambiente chegavam, com o intuito vil de unicamente. explorá-los. As ilustrações corroboram o enredo discreteando o plurissignificativo pantaneiro.

*Articulista

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