
Unidades hospitalares de Campo Grande já estão com estoque no limite
A falta da dipirona está sendo um problema em muitos hospitais do país. Usado para tirar febre e dor, o medicamento – que é encontrado em farmácias na forma de comprimidos ou em gotas – é amplamente administrado nos hospitais na versão injetável. O baixo estoque está relacionado com questões financeiras.
No final de março, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) alertou o Ministério da Saúde sobre problemas com a falta do medicamento e dificuldades de reposição da dipirona injetável. Agora, o cenário se confirma, segundo denúncias apuradas pelo Jornal Hoje.
“Enviamos um ofício ao Ministério, mas gostaria de reforçar. Nós fizemos uma consulta a 23 Cosems [Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde] que relataram falta de três medicamentos específicos: Dipirona injetável, Ocitocina e Neostigmina. Sabemos das dificuldades com o mercado, porém, queremos informar sobre a nossa preocupação com esse desabastecimento”, afirmou o presidente do Conasems, Wilames Freire, no dia 24 de março.
Por que falta dipirona injetável?
Segundo especialistas, o baixo estoque de dipirona injetável nos hospitais brasileiros está relacionada com o custo e regulação de preço dos medicamentos no Brasil. Atualmente, o analgésico não é produzido no país. Com isso, a demanda é suprida pela importação do remédio, sendo apenas o envase nacional.
O valor pelo qual este medicamento deve ser comercializado é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), que está ligada a diferentes ministérios e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “As farmácias e drogarias, assim como laboratórios, distribuidores e importadores, não podem cobrar pelos medicamentos preço acima do permitido pela Cmed”, explica o órgão.
Em paralelo, algumas empresas farmacêuticas questionam o valor fixado e afirmam que o valor máximo de venda não cobre os custos da produção. Inclusive, um laboratório chegou a suspender a fabricação da dipirona por tempo indeterminado.
Diante de uma crise nacional na comercialização da dipirona injetável, os estoques dos principais hospitais da Capital só devem durar até esta semana. O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) e a Santa Casa de Campo Grande já estabeleceram contingenciamento, priorizando o uso de outros medicamentos.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que a dipirona injetável não faz parte do componente especializado, nem do estratégico do Estado. Desta forma, a aquisição da solução é responsabilidade das unidades hospitalares.
Dá para substituir o medicamento?
Agora, os membros da Cmed e as autoridades de saúde precisam definir o que fazer a partir do baixo estoque do medicamento. No futuro, uma alternativa é fomentar a produção nacional da dipirona injetável. De forma imediata, pode-se oferecer subsídios para importação ou substituir o remédio.
No quesito da possível substituição, a presidente do departamento de farmácia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), Erika Michelle do Nascimento Facundes, explica que outros analgésicos podem apresentar mais efeitos colaterais.
“A gente vai ter dificuldade de manejar dor e febre no ambiente hospitalar e isso é risco, sim, à saúde, podendo levar a casos de convulsão, de eventos adversos relacionados a medicamento, que pode levar inclusive o paciente a precisar de leito de UTI e outros medicamentos, antídotos, outros insumos bem mais caros e inclusive intubação”, completa Facundes.
8com informações Jornal Hoje




















