PF rejeita pela segunda vez proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro

11
PF rejeitou novo acordo de delação por falta de informações relevantes para as apurações (Foto: Divulgação/Banco Master)

Polícia Federal informou ao STF que material apresentado pelo banqueiro não trouxe fatos inéditos nem provas suficientes para acordo

A segunda tentativa do banqueiro Daniel Vorcaro de firmar um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal foi novamente rejeitada. Em manifestação enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) na noite desta quinta-feira (11), a corporação informou que a nova proposta não apresentou elementos inéditos ou provas suficientes para justificar a abertura do acordo.

Segundo a Polícia Federal, esta é a segunda negativa à delação do ex-controlador do Banco Master em menos de um mês. A avaliação dos investigadores é de que os fatos narrados por Vorcaro não acrescentam informações relevantes às apurações já em andamento, nem apontam novos crimes ou pessoas ainda desconhecidas pelas autoridades.

De acordo com o entendimento da PF, o material entregue também enfrenta dificuldades de comprovação. Os investigadores consideram que os relatos apresentados pelo banqueiro não são suficientes por si só e que seria necessária a inclusão de documentos, extratos bancários, registros de movimentações financeiras e outras evidências capazes de confirmar as declarações.

Para que a colaboração fosse aceita, os anexos precisariam conter o que a corporação classifica como “eficácia probatória”, ou seja, elementos concretos capazes de produzir resultados efetivos para as investigações. Entre os requisitos esperados estariam provas documentais e informações verificáveis sobre eventuais terceiros ainda não identificados.

Na avaliação da Polícia Federal, a nova proposta não atingiu o nível de consistência exigido para a celebração de um acordo de colaboração premiada.

Defesa contesta posição da PF

Interlocutores de Daniel Vorcaro, no entanto, afirmaram à CNN que a Polícia Federal “nunca” demonstrou interesse real em fechar um acordo de delação com o banqueiro. Segundo essa avaliação, tanto a primeira quanto a segunda rodada de negociações teriam sido conduzidas apenas de forma protocolar, sem intenção efetiva de avançar nas tratativas.

Os aliados do empresário também rebatem a justificativa de que a proposta seria frágil. Eles sustentam que o documento contém autoincriminação, confissões e relatos que poderiam apontar possíveis práticas ilícitas envolvendo autoridades públicas.

Ainda conforme pessoas próximas a Vorcaro, a nova versão da delação inclui fatos inéditos e alcança integrantes dos Três Poderes e também da oposição, informações que, segundo eles, ainda não eram de conhecimento da Polícia Federal.

Procurada, a PF ainda não havia se manifestado sobre as declarações dos representantes do banqueiro.