A Federação PSOL/REDE lançou o nome do empresário Lucien Rezende, de 62 anos, para a disputa do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul. Ele tem como candidata a vice-governadora na chapa a professora e enfermeira Kaelly.
Essa será a sexta disputa de Lucien, mas a primeira para o cargo de governador. Na formação educacional, tem o Ensino Fundamental completo e declarou patrimônio de R$ 500 mil, composto por duas casas de alvenaria de R$ 250 mil cada.
Plano de governo
O plano de governo tem propostas concentradas no fortalecimento dos serviços públicos, ampliação de políticas sociais, valorização dos trabalhadores e preservação ambiental. O documento também estabelece como estratégia política o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre as principais bandeiras apresentadas está a defesa do fim da jornada de trabalho na escala 6×1. Segundo o plano, a mobilização pretende ampliar o debate sobre os impactos da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso na saúde física e mental dos trabalhadores, especialmente nos setores de comércio e serviços.
Entre as pautas prioritárias estão a defesa dos povos indígenas, a sustentabilidade ambiental, especialmente nos biomas Pantanal e Cerrado, e a valorização dos servidores públicos.
Saúde como prioridade
O plano coloca a saúde pública entre as principais prioridades de um eventual governo do partido. A proposta é ampliar os investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), com ações voltadas à descentralização do atendimento e à presença de profissionais em regiões com déficit de médicos.
Uma das propostas é ampliar o programa Mais Médicos para atender municípios afastados, periferias urbanas e comunidades indígenas. O documento também prevê a criação do programa “Saúde em Casa”, destinado principalmente a idosos, pessoas com deficiência e pacientes com dificuldade de locomoção.
A iniciativa prevê equipes multidisciplinares, acompanhamento domiciliar, atendimento preventivo e emergencial e utilização de UTIs móveis. O partido também defende a regionalização da saúde, com fortalecimento de hospitais regionais e unidades especializadas para reduzir a necessidade de deslocamentos dos pacientes em busca de atendimento.
Outra frente é a valorização dos profissionais da saúde, com melhores salários, planos de carreira, melhores condições de trabalho, investimentos em equipamentos e infraestrutura e jornadas consideradas dignas. O plano também prevê formação e capacitação permanente dos trabalhadores.
Educação em período integral
Na educação, o PSOL defende uma rede pública, gratuita, inclusiva e de qualidade. Entre as propostas está a ampliação da educação em período integral, com oferta de oportunidades de aprendizagem, cultura, esporte, lazer e alimentação adequada para crianças e jovens.
O plano também prevê a valorização de professores e servidores administrativos, com melhores condições de trabalho e formação continuada. Outra medida apresentada é a realização de concursos públicos para suprir a falta de profissionais na rede estadual de ensino.
Cultura e esporte como políticas de inclusão
Na área cultural, a proposta é criar um calendário cultural estadual permanente, em parceria com municípios, movimentos culturais e artistas. A intenção é ampliar a realização de apresentações, festivais, feiras e outros eventos durante todo o ano.
O documento também defende o fortalecimento das manifestações culturais indígena, afro-brasileira, pantaneira, sertaneja, urbana e periférica, além da descentralização dos investimentos para municípios do interior, bairros periféricos e comunidades tradicionais.
Entre as medidas estão a ampliação dos editais públicos, maior transparência na distribuição dos recursos, formação artística para jovens e apoio a espaços culturais independentes.
No esporte, o plano propõe ampliar os investimentos em quadras, campos, ginásios, pistas e centros esportivos comunitários. Também prevê programas permanentes de incentivo ao esporte de base, escolar e universitário.
O partido propõe ainda políticas específicas para mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, idosos e comunidades periféricas, além do fortalecimento de projetos sociais esportivos como instrumento de prevenção à violência e redução das desigualdades.
Segurança com foco em inteligência e prevenção
Para a segurança pública, o PSOL defende uma mudança de estratégia, substituindo o modelo baseado prioritariamente em repressão por uma política centrada em inteligência, prevenção e respeito aos direitos humanos.
O plano propõe o fortalecimento das investigações contra o crime organizado, integração entre as forças de segurança e cooperação com órgãos federais e internacionais, especialmente nas regiões de fronteira.
Também estão previstas ações de valorização dos profissionais da segurança, investimentos em tecnologia, inteligência policial, formação continuada e políticas de saúde mental para os agentes.
A legenda associa ainda segurança pública à redução das desigualdades sociais. O plano prevê investimentos em educação, esporte, cultura, geração de emprego e assistência social nas periferias.
Entre as propostas estão políticas de prevenção à violência contra as mulheres, combate ao feminicídio, proteção às populações indígenas e enfrentamento ao racismo estrutural nas abordagens policiais e no sistema de justiça criminal.
Habitação popular
Na habitação, o partido aponta a permanência do déficit habitacional e defende uma política estadual integrada aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
A proposta é priorizar famílias de baixa renda, mulheres chefes de família, pessoas em situação de vulnerabilidade, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.
O plano prevê a construção de moradias populares utilizando tecnologias como modelos modulares e sustentáveis, além da ampliação de programas de regularização fundiária e urbanização de bairros periféricos.
Também estão incluídos investimentos em infraestrutura básica, como água, energia, saneamento, pavimentação, transporte público e áreas de lazer. O documento propõe ainda aluguel social para famílias em situação emergencial e programas de mutirão habitacional com participação das comunidades e movimentos sociais.
Críticas ao modelo de desenvolvimento baseado na celulose
Na área econômica, o plano faz uma avaliação crítica da expansão da indústria de celulose, principalmente na chamada “Costa Leste” ou “Vale da Celulose”. O documento reconhece a geração de empregos e o aumento da arrecadação nos municípios onde as grandes fábricas foram instaladas, mas questiona o volume de incentivos e isenções fiscais concedidos às multinacionais diante da permanência de problemas sociais.
A proposta apresentada pelo partido busca discutir os impactos desse modelo de desenvolvimento e sua distribuição de benefícios para a população.
Meio ambiente
A preservação ambiental ocupa espaço relevante no programa. O PSOL propõe o fortalecimento das políticas de proteção dos ecossistemas, com atenção especial ao Pantanal, que, segundo o documento, enfrenta problemas relacionados à devastação e às queimadas.
Entre as medidas estão o aumento da fiscalização contra desmatamentos e queimadas ilegais, recuperação de áreas degradadas e incentivo ao desenvolvimento sustentável, conciliando preservação ambiental e geração de emprego e renda.
O plano também aborda os impactos ambientais associados à expansão das plantações de eucalipto e ao transporte da produção de celulose. O documento cita, entre outros problemas, o aumento da mortalidade de animais silvestres nas rodovias em razão do intenso tráfego de caminhões.
Em relação à mineração na região de Corumbá, o partido defende maior transparência, fiscalização rigorosa e monitoramento permanente dos impactos ambientais. A proposta inclui ainda o fortalecimento dos órgãos de fiscalização, proteção da fauna silvestre e recuperação de áreas degradadas.
Saúde inclusiva e atenção às populações vulneráveis
O programa também estabelece como diretriz uma política de saúde que considere as desigualdades sociais e a diversidade da população. O documento cita especificamente indígenas, população negra, mulheres, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência e moradores das periferias e do campo como públicos que devem receber atendimento digno e políticas específicas.
De forma geral, o plano apresentado pelo PSOL propõe um modelo de governo baseado na ampliação dos serviços públicos, na redução das desigualdades sociais, na valorização dos trabalhadores, na participação popular e na proteção ambiental. Na estratégia eleitoral, a legenda coloca ainda como prioridades a sustentação da base política de apoio à reeleição de Lula e o fortalecimento da representação da esquerda nas casas legislativas.





















