Pós pandemia: “Motivação para não fechar, foi manter emprego de quem dependia do meu negócio”, conta proprietária de restaurante

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Jucilene e equipe reunida no restaurante. (Foto: Henrique Theotônio)

Covid-19 judiou, mas também ensinou! Dona de restaurante relata dificuldades e aprendizados para seu negócio

Empreendedora no ramo de serviços, Jucilene Gonçalves Mendes Maciel, de 41 anos, técnica de enfermagem e apaixonada pela gastronomia é uma das que sobreviveu ao Tsunâmi chamado covid-19. Dona de um restaurante na região norte de Campo Grande, Ju como é popularmente conhecida entre os clientes, familiares e amigos conta ao Enfoque MS um pouquinho da trajetória vivida durante essa fase de dificuldades e enorme aprendizado.

Como proprietária do restaurante Sal de Xaraés há quatro anos, Jucilene, relata que sua maior preocupação durante os dias difíceis foram seus colaboradores. Quando questionada sobre as medidas que foram tomadas para se manter ‘em pé’, Ju diz que os auxílios oferecidos pelo governo, foram os que ajudaram, evitando que ela fosse forçada a mandar alguém embora ou até mesmo fechasse. “Sempre coloquei meu pessoal como prioridade, afinal são eles que estão sempre ao meu lado, além do que, mais do que pessoas, são famílias que dependem diretamente das atividades do restaurante.”

Pós pandemia: “Motivação para não fechar, foi manter emprego de quem dependia do meu negócio”, conta proprietária de restaurante
Jucilene Gonçalves Mendes Maciel. (Foto: Henrique Theotônio)

Muitos foram os momentos de desespero. Logo no começo quando comércios foram forçados a fechar e funcionar em modalidade delivery ou pegue e leve, a empreendedora relembra que viu seu negócio praticamente desmoronar. “O rendimento caiu lá em baixo, os clientes sumiram, até porque, grande parte deles vinham de lojas e escritórios que também fecharam. Cheguei a cogitar a mais terrível opção, fechar.” Porém graças a uma rede de apoio formada principalmente pelo marido e filhos, juntos uniram forças e auxiliaram Jucilene na tomada de decisões, que contribuíram para a manutenção dos empregos e atividades.

Lembrando ainda dos momentos de incerteza, ela recorda algo que foi crucial para não encerrar os trabalhos. “Eu não tinha reserva de dinheiro, até porque vinha da fase de investimento para a de lucro, foi quando me vi em meio a uma pandemia. A falta de reservas atrapalharam, mas, se teve algo que me ajudou, foi não ter dívidas”. Atualmente a dona do Sal de Xaraés revela estar mais aliviada quanto as condições econômicas, entretanto, infelizmente longe da recuperação. “As dívidas que não tinha passeei a ter, pois foi o meio que encontrei de manter os salários em dia, com a equipe toda na ativa.”

Outro ponto que contribui para se manter firme, foi a compreensão de seus fornecedores, que em sua maior parte souberam esperar, dando prazos maiores ou até mesmo parcelamento na hora do pagamento.

Pós pandemia: “Motivação para não fechar, foi manter emprego de quem dependia do meu negócio”, conta proprietária de restaurante
Restaurante, Sal de Xaraés. (Foto: Henrique Theotônio)

O negócio da família segue firme e na luta, dia após dia se reinventando e driblando as adversidades que não cessam, como alta nos preços de praticamente tudo. “Fazer as compras diárias para abertura do restaurante tem sido um verdadeiro martírio”, enfatiza.

A alta nos preços de alimentos, combustível, gás de cozinha e luz são mais uma amostra de que a pandemia pode estar cada vez mais controlada, porém os outros problemas seguem em descontrole total e o que ficam são as experiências apreendidas as custas de duras penas de uma classe que não cansa e não pode parar de trabalhar.

Nas palavras de uma lutadora que resistiu aos destemperos de um vírus tão devastador: “A batalha continua, cada vez mais forte, em busca de vencer e conquistar condições melhores para a vida, encerra Ju”.

Por: Evelyn Thamaris