Themis de Oliveira sai “a pedido” e João Rezende reassume função interinamente em meio a crise no transporte público
O diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, Themis de Oliveira, deixou o cargo após 16 meses à frente da gestão. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (1º) pela própria concessionária, que informou que a saída ocorreu a pedido do executivo para que ele possa se dedicar a “projetos pessoais”.
A empresa não detalhou prazos para a transição nem informou, inicialmente, se haverá nova nomeação definitiva. Com a mudança, o ex-diretor-presidente João Rezende retorna ao comando do consórcio de forma interina. Ele já havia ocupado o cargo por 12 anos, deixando a função em janeiro de 2025, quando Themis assumiu em meio à crise no sistema de transporte da Capital.
Em nota, o Consórcio Guaicurus agradeceu a atuação de Themis de Oliveira no período em que esteve na presidência e destacou a dedicação do gestor durante a condução da empresa.
João Rezende volta à direção em um momento de forte pressão sobre o sistema de transporte público em Campo Grande. O consórcio já foi alvo de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, que apontou problemas na execução do contrato e no funcionamento do serviço.
Durante as oitivas da CPI, Themis de Oliveira afirmou que melhorias no transporte dependem de um novo contrato com a Prefeitura e destacou dificuldades financeiras para renovação da frota. Segundo ele, a substituição de ônibus dependeria de aportes públicos e de condições de crédito consideradas inviáveis no cenário atual.
Já João Rezende, também ouvido pela CPI, afirmou que o contrato firmado em 2012 não teria sido plenamente cumprido pelo poder público, citando obras de mobilidade e infraestrutura previstas no acordo e que, segundo ele, não foram entregues no prazo.
A discussão sobre o sistema ganhou ainda mais força após decisões judiciais e medidas administrativas que apontam possíveis irregularidades na concessão. Em dezembro de 2025, a Justiça reconheceu indícios de problemas na gestão e determinou o avanço de uma ação que pede intervenção no serviço operado pelo consórcio.
Em março deste ano, a Prefeitura de Campo Grande instaurou um procedimento preliminar para apurar o cumprimento do contrato e avaliar eventual intervenção no sistema de transporte coletivo. Uma comissão especial foi criada para analisar pontos como frota, rotas e qualidade do serviço prestado.
O Consórcio Guaicurus também é formado pelas empresas Viação Cidade Morena, Viação São Francisco, Jaguar Transporte Urbano e Viação Campo Grande. A concessionária afirma manter compromisso com a continuidade do serviço e com o diálogo com o poder público enquanto as apurações seguem em andamento.


















