Mais um caso de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul, que é e mante o vergonhoso ‘título’ de Estado com mais agressores no Brasil, e ainda, por parte de quem tem uma função que deveria ser de proteger e selar pela Segurança Pública. O caso envolve uma acusação ao GCM-CG (Guarda Civil metropolitano de Campo Grande), Valci Picon, 51 anos, por espancar a ex-namorada no meio da rua. Ele foi preso na noite desta quinta-feira (29), no Bairro Los Angeles, região Sul da Capital.
O servidor público, que tem outra acusação de violência domestica, e tinha um mandando de prisão preventiva em aberto, desta vez foi afastado de suas funções preventivamente, por 60 dias, e, pode perder o cargo na GCM-CG. O afastamento foi oficializado e divulgado pelo Diogrande nesta quinta-feira, apontando que o servidor responderá a um PAD (Processo Administrativo Disciplinar).
Picon foi preso por volta das 21h, na casa onde mora, sob acusação da violência que se partiu ao não aceitar o fim do relacionamento com a vítima e ainda passou a ameaçá-la. Vídeo gravado por vizinhos da vítima mostra a mulher sendo agredida no meio da rua. O caso está sob investigação da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).
A mulher contou que está com medo e não sai mais de casa. “Não aguento mais, não saio mais de casa, vivo trancada. Quero justiça”, disse. Já há medida protetiva de urgência em vigor.
Direção da GCM
O comandante da GCM, Anderson Ortigoza, estava na Deam na manhã desta sexta-feira (30), ratificando que o servidor foi preso assim que o mandado de prisão foi expedido, bem como Picon vai responder processo administrativo e pode ser demitido. “Ele foi preso no começo noite, assim que saiu o mandado desempenhamos uma equipe para fazer o cumprimento. Ele foi preso por agressão a partir da materialidade do vídeo. Não resistiu e foi bem passivo, foi apresentado e agora está sendo ouvido”.
- Segundo o comandante, o guarda até estava de férias na época em que agrediu a ex-namorada, mas pode perder o cargo. “No momento da agressão eles estavam de férias, ainda está e o afastamento começa quando ele se apresentar. Já tinha contra ele um boletim de ocorrência de agressão, em uma segunda ocasião ela chegou a ir na Deam para registrar uma queixa contra ele, mas foi embora antes de ser ouvida. Se no final do processo administrativo a comissão entender que ele extrapolou o limite ele pode sim perder o cargo”, afirmou.
As agressões
- Segundo a vítima, que terá o nome preservado pela reportagem, o relacionamento do casal durou apenas três meses. Eles se conheceram há cerca de dois anos, em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Capital, onde trabalhavam.
- “Três meses de namoro, então vi que era muito ciumento. Eu não aguentava mais ele falar que eu o traía, que eu não ia trabalhar e eu também não podia cumprimentar ninguém. Foi então que decidi terminar, mas ele não me deixou ir e começou as agressões”, conta.
- Entre as crises de ciúmes que levaram ao término, a mulher afirma que o guarda “quebrava toda a casa” e até as peças de roupas íntimas dela, cheirava. “Mexia no meu celular quando eu não estava perto e apagou tudo que tinha de mensagem dele para o meu número. Já tinha me ameaçado, se eu terminasse me matava, mas eu não acreditei, porque era tão pouco tempo de namoro”, lembra.
- O site Campo Grande News revela que teve acesso a três boletins de ocorrência envolvendo o casal. No primeiro, registrado no dia 17 de maio deste ano, foi o próprio guarda que chamou a Polícia Militar. Quando a PM chegou, encontrou ambos feridos. O guarda relatou que havia se desentendido com a namorada e que ela teria puxado uma faca para ele.
- Por outro lado, a mulher contou que foi agredida dentro do carro pelo guarda, que também puxou os cabelos dela. Questionado, o suspeito alegou que teria feito isso no intuito de que ela praticasse sexo oral nele. A mulher negou, na ocasião, ter puxado qualquer faca para o guarda.
- Segundo B.O
- Já no dia 10 de junho, há registro de outro boletim de ocorrência. Dessa vez, a mulher procurou a polícia dizendo que se sentiu ameaçada. Em outro registro, esta semana, ela procura a polícia mais uma vez com várias lesões no corpo.
- De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher conta que foi abordada por dois homens e agredida, no dia 24 de junho. Enquanto um ficou na moto, o outro a empurrou. Ela caiu de rosto no chão e ouviu que era “só um aviso”, porque se prejudicasse o ex-namorado “era para se considerar morta”. Na sequência, o rapaz desferiu chutes nas costas e cabeça da vítima.





















