A divergência entre interesses dos povos indígenas e propósitos de grandes empresas hidrelétricas não é novidade no país. Os avanços do setor são motivos de debates, enfrentamentos e até de criação de políticas públicas a fim de amenizar impactos e diminuir os conflitos.
 
Diante desse cenário, o professor dos cursos de graduação e pós-graduação em História da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Éder da Silva Novak, publicou o livro Hidrelétricas e povos indígenas: o caso Apucaraninha. Volume I, no qual contextualiza a história da eletricidade no Brasil e analisa a legislação do setor elétrico. A obra traz o recorde entre a década de 1930 e meados dos anos 1970, apresentando, especialmente, o histórico da energia elétrica no Paraná e seu principal empreendimento hidrelétrico: a Usina do Apucaraninha.
 
A narrativa do livro revela a ausência de tratativas envolvendo hidrelétricas e povos indígenas no que diz respeito à área utilizada para a construção e instalação da maior usina do norte do Paraná naquele período. O histórico dos povos Kaingang da bacia do rio Tibagi, que será demonstrado no Volume II da obra, é fundamental para entender as ações e os interesses de todos os sujeitos presentes naquele contexto histórico, possibilitando a compreensão da política indigenista e indígena, desenvolvidas a partir da presença do empreendimento hidrelétrico, construído pela EELSA, no Salto Apucaraninha, em território do Posto Indígena Apucarana. Este jogo de interesses será analisado no Volume III, dando enfoque ao protagonismo dos Kaingang.
 
TERRITÓRIOS INDÍGENAS
 
A luta indígena pela terra, como forma de concretização da sua vida material e para sobrevivência de suas comunidades, também é foco e outra obra recém lançada de Éder da Silva Novak. Emã e Tekoha: territórios indígenas e a política indigenista traz à luz da discussão a situação de guerra entre povos indígenas e não-índios, tanto no sentido bélico, quanto no relacionado à política de alianças e negociações em torno dos territórios em disputa.
 
A obra não apresenta apenas uma história polarizada e simplista das relações entre colonizadores e indígenas, mas uma narrativa que seja reveladora da riqueza das situações históricas e dos contextos político-sociais. Os povos indígenas, protagonistas de suas histórias, desenvolveram políticas próprias para se contraporem à política indigenista, conseguindo, assim, manter parte de seus territórios e a sua continuidade enquanto populações diferenciadas entre si.
 
Os livros podem ser adquiridos pelo site da editora (https://www.editoraappris.com.br/busca?s=eder+da+silva+novak) e em diversos sites de outras livrarias.

FINANCIAMENTO
 
Os dois livros foram lançados com recursos do edital PROPP nº 14/2019, referente ao Programa de Apoio à Pesquisa da UFGD. O objetivo do edital é expandir as atividades de pesquisa, ampliar a produção científica de qualidade e fortalecer os programas de pós-graduação da Universidade.
 
Participaram da seleção os servidores efetivos da UFGD (professores e técnicos) coordenadores de projetos de pesquisa cadastrados na Coordenadoria de Pesquisa. O orçamento total disponível era de R$ 305.000,00 e poderia financiar manutenção de equipamentos laboratoriais, materiais de consumo, serviços de tradução, revisão e versão, publicações de artigos e livros, inscrições em eventos.
















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