Proposta de Flávio Bolsonaro para o Bolsa Família provoca embate com aliados de Lula

8
Flávio Bolsonaro destacou plano econômico, enquanto Lula enfatizou o reforço da segurança (Montagem: Charles Vieira/Flickr Flávio; Ricardo Stuckert/PR)

Plano prevê transição de dois anos para beneficiários que conseguirem emprego formal ou abrirem negócio e gera reação na reta final da eleição

A proposta de manter o Bolsa Família por até dois anos para beneficiários que conseguirem emprego com carteira assinada ou abrirem um negócio virou motivo de confronto entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro na reta final do segundo turno das eleições presidenciais. A discussão ganhou força nas redes sociais e levou o candidato do PL a reforçar que não pretende acabar com o programa social.

A ideia foi apresentada por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, em entrevista à rádio CBN. Segundo ela, a intenção é criar um período de transição para que os beneficiários possam aumentar a renda sem perder imediatamente a assistência financeira do governo.

A declaração provocou reação de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passaram a cobrar explicações sobre os planos do adversário para o programa. Nas redes sociais, apoiadores do petista também recuperaram declarações anteriores do senador e associaram a proposta à possibilidade de cortes em políticas sociais.

Flávio diz que benefício será mantido durante transição

Ao explicar a proposta, Daniella afirmou que os beneficiários teriam dois anos para se adaptar à nova condição financeira após conseguir emprego formal ou iniciar uma atividade empresarial. A medida também prevê, segundo ela, a possibilidade de retorno automático ao programa caso a tentativa de melhorar a renda não dê certo.

“Quem está no Bolsa Família vai ter regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar um emprego de carteira assinada”, declarou à CBN.

A coordenadora econômica também defendeu que o programa não se transforme em uma condição permanente para as famílias que conseguem oportunidades de trabalho.

Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro afirmou que a proposta não prevê o encerramento do Bolsa Família. Segundo o senador, a regra seria voltada a pessoas que deixassem de atender aos critérios do programa em razão do aumento da renda, permitindo uma adaptação gradual à nova realidade.

Aliados de Lula criticam a proposta

Integrantes da campanha petista questionaram as intenções do adversário e relacionaram a discussão à política de redução de despesas públicas defendida por Flávio Bolsonaro.

O senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz da campanha de Lula, criticou a possibilidade de mudanças em programas sociais e citou outras políticas públicas, como o Farmácia Popular e a merenda escolar, ao comentar a discussão sobre os gastos do governo.

Nas redes sociais, apoiadores de Lula passaram a divulgar a expressão “BolsaFamíliaSóComLula”, em uma tentativa de associar a continuidade do benefício à reeleição do atual presidente.

A controvérsia também ampliou a cobrança por esclarecimentos sobre como funcionaria a regra de transição, quais beneficiários seriam contemplados e quais condições seriam exigidas para o retorno ao programa.

Proposta entra no debate eleitoral

A discussão sobre o Bolsa Família ganhou espaço em meio à disputa pelo segundo turno, quando as campanhas intensificam as críticas e tentam conquistar o eleitorado indeciso.

Enquanto aliados de Lula apresentam a proposta como motivo de preocupação para os beneficiários, Flávio Bolsonaro procura destacar que o objetivo seria estimular a entrada no mercado de trabalho sem retirar imediatamente a proteção financeira das famílias.

A implementação da medida, caso seja adotada, dependerá da definição das regras e dos mecanismos necessários para garantir a continuidade temporária dos pagamentos e o eventual retorno dos beneficiários ao programa.

Até que esses detalhes sejam apresentados, a proposta segue como um dos temas de disputa entre os dois candidatos na reta final da campanha.